Pivô do esquema agia em várias subcontratadas do Segundo Tempo

Na JJ Logística, 'Zeca' continuou a sacar dinheiro da empresa, mesmo após transferi-la a autor da denúncia

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h06

Relatórios da Controladoria-Geral da União e documentos obtidos pelo Estado mostram que o empresário e ex-assessor parlamentar José Renato Fernandez Rocha, o Zeca, tem relações com quase todas as empresas subcontratadas pelo Instituto Contato em convênios para iniciativas do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte.

Além de ser sócio da MLH Comercial desde dezembro de 2009, ele fundou a JJ Logística em abril de 2005. Mesmo depois de transferir em maio de 2008 a empresa para o nome de João Batista Vieira Machado, autor das denúncias de desvios dos recursos do Esporte publicadas no domingo pelo Estado, Fernandez Rocha continuou a sacar dinheiro da conta da microempresa sediada em Tanguá, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Cópias de cheques fornecidas por João Machado mostram que Fernandez Rocha usou o talonário da JJ Logística para sacar ou pagar contas no valor de R$ 2,2 milhões nos últimos anos. Desse total, R$ 742 mil foram retirados em espécie, entre julho e dezembro de 2009, em seis viagens a Santa Catarina, onde fica a sede do Instituto Contato.

Fernandez Rocha ainda tem influência na Zag Brasil Participações, firma de cujo contrato social constam sua avó, Odete, e sua cunhada Ana Beatriz , Fundada em setembro de 2006, a Zag Brasil recebeu R$ 473,5 mil em um repasse feito pela entidade controlada por integrantes do PC do B de Santa Catarina.

Em fevereiro de 2011, quando surgiram as primeiras suspeitas em relação às fornecedoras do Instituto Contato, o Estado entrou em contato com um representante da Zag Brasil. Tratava-se de Agnaldo Bueno Rocha Jr., irmão de Fernandez Rocha.

Na época, Rocha Jr. chegou a confirmar que havia vendido material esportivo à ONG catarinense, mas não soube dizer o nome de seus fornecedores. Ao ser questionado sobre detalhes de suas atividades, ele pediu que as perguntas fossem enviadas por e-mail. Mas nunca houve resposta. Rocha Jr. não foi localizado na semana passada.

Nas investigações a CGU também encontrou suspeitas em outra empresa subcontratada pelo Contato, a RDO Comunicação Visual Ltda. A empresa recebeu R$ 71 mil em repasse feito pela entidade catarinense. Administrador da RDO entre fevereiro e março de 2009, Wescley Antonio Paloschi também era o pregoeiro do Instituto Contato. "Ressalta-se que a maior parte das contratações do Instituto Contato no âmbito dos convênios em tela foi feita nessa modalidade de licitação", destaca o relatório da CGU. O Estado não localizou representantes da empresa. / A.J. e F.F.

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