Pivô de crise no Esporte é promovido pela PM

Soldado João Dias sobe de patente, vira cabo e ganha aumento salarial; corporação diz que ele atendeu pré-requisitos

O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2012 | 03h06

BRASÍLIA - Investigado por desvio de verbas do Ministério do Esporte e alvo de duas sindicâncias da Polícia Militar do Distrito Federal, uma delas aberta após ser preso por agredir funcionários do Palácio do Buriti, o soldado João Dias, pivô do escândalo que derrubou o ex-ministro Orlando Silva, ganhou da corporação um presente: foi promovido a cabo, com progressão salarial.

Apesar do histórico problemático, Dias foi alcançado por decisão do governador Agnelo Queiroz (PT) que elevou as patentes de 2.850 policiais, com impacto de cerca de R$ 7 milhões aos cofres públicos. O salário-base do militar passa dos atuais R$ 4,3 mil para cerca de R$ 4,5 mil.

Dias está lotado na Diretoria de Inativos e Pensionistas da PM, mas não trabalha há pelo menos dois meses por motivo de saúde. A corporação alega que ele atendeu os pré-requisitos para receber a promoção, entre os quais o mínimo de cinco anos na condição de soldado. E que não poderia lhe negar o direito, já que, embora investigado, não pesa contra ele nenhuma condenação.

O tenente-coronel Zilfrank Antero, do Centro de Comunicação Social da PM, diz que, apesar da sensação de que a corporação "está dando aval a algo errado", é necessário cumprir a lei. Segundo ele, o regulamento de promoção de praças só barra a progressão de carreira se o policial for condenado pela Justiça. "Nem se quiséssemos poderíamos negar", alega.

Dias é acusado de desviar cerca de R$ 3 milhões em recursos de convênios do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, firmados quando Agnelo era o titular da pasta. No ano passado, ele acusou o ex-ministro Orlando Silva de integrar o esquema, tendo recebido propina na garagem do prédio em que a funciona a pasta, em Brasília. Orlando deixou o cargo após a divulgação de denúncias sobre o favorecimento de integrantes do seu partido, o PC do B, com verbas do Esporte.

Em abril de 2010, Dias foi preso na Operação Shaolin, da Polícia Civil do DF, pelo suposto envolvimento nos desvios. Após a crise ministerial de 2011, ele ainda foi protagonista de um escândalo no fim do ano: invadiu o Palácio do Buriti e despejou R$ 159 mil sobre uma mesa. O dinheiro seria um "cala-boca" para não implicar pessoas envolvidas no esquema, ligadas ao governo.

A Polícia Civil o prendeu por agredir um policial e uma funcionária do palácio. E apura qual seria a origem das notas.

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