Pinheirinho rende novo bate-boca no Senado

Tucano Aloysio Nunes acusa Eduardo Suplicy (PT) de usar desocupação em São José dos Campos como arma eleitoral para as eleições municipais

ROSA COSTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2012 | 03h04

O PT voltou a trabalhar para fazer da desocupação do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), uma arma eleitoral a ser usada contra o PSDB. Na audiência pública realizada ontem pela Comissão dos Direitos Humanos (CDH) do Senado, houve bate-boca entre os senadores paulistas Eduardo Suplicy (PT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) por causa do despejo de 1,6 mil famílias ocorrido no mês passado.

Aloysio Nunes acusou os senadores Suplicy e Paulo Paim (PT-RS) de politizarem o episódio para favorecer o partido nas eleições municipais deste ano. Como argumento, o tucano disse que nenhuma atitude foi tomada pela comissão quanto a desocupações ocorridas no Distrito Federal e no Acre, cujos governadores são do PT. Paulo Paim, que é presidente da comissão, estava ausente.

"É um procedimento unilateral que visa a instrumentalizar a comissão por partidos políticos, no caso o PT, e outros grupos, como o PSTU, que o usa para terceirizar seu radicalismo", disse Aloysio Nunes. Ele chamou os líderes comunitários dos que foram desalojados de "parasitas", atribuindo a eles "a radicalização, o circo", dias antes da reintegração da posse da área.

A audiência na CDH foi convocada para que fossem ouvidos o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, e líderes comunitários envolvidos com o movimento de resistência criado no bairro do Pinheirinho. Na ação, foram retiradas 1,6 mil famílias da área, num total de cerca de 6 mil pessoas. "Tinha gente querendo brincar de insurreição, pseudorrevolucionários prontos para radicalizar", atacou Aloysio.

Discussão. Segundo o senador tucano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não mandou um representante para a audiência de ontem porque sabia que ali haveria um "teatro" dos que desejam explorar politicamente o episódio.

Irritado, Suplicy protestou. Aos gritos, pediu que Aloysio tivesse a "dignidade de ver as cenas de barbaridades que aconteceram no local".

O petista anunciou que poderá pedir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigação contra Sartori. Antes de entrar com a representação, no entanto, Suplicy anunciou que dará uma oportunidade para que o desembargador e os juízes Roberto Capez, Luiz Beethoven Giffone Ferreira e Márcia Loureiro, que autorizaram a ação de despejo, se expliquem à CDH.

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