Pinheirinho opõe SP a Dilma e ao Planalto

Presidente chama de 'barbárie' operação da polícia militar paulista em área ocupada irregularmente no bairro de São José dos Campos

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, LUCAS DE ABREU MAIA , SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h06

Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff qualificar de "barbárie" a reintegração de posse de um terreno no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), os ministros da Secretaria-Geral de Governo, Gilberto Carvalho, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, voltaram a criticar a operação da Polícia Militar de São Paulo, nesta sexta-feira, em Porto Alegre, onde participaram de atividades do Fórum Social Temático. A desocupação, feita no domingo, retirou 1,6 mil famílias de um terreno devolvido pela Justiça à empresa Selecta.

A frase foi dita por Dilma em uma reunião fechada com movimentos sociais em Porto Alegre. Carvalho e Maria do Rosário concordaram com a palavra "barbárie". "O que se viu no Pinheirinho, como nós vimos, foi um grande aparato militar, preparado e executado. Não foi seguido do ponto de vista de reacomodação das pessoas. Tudo aquilo poderia ter sido evitado se uma solução para aquela gente já tivesse sido viabilizada", avaliou Carvalho. "Não se trata de contestar decisão da Justiça, mas de dialogar com a Justiça, que é sensível a soluções negociadas."

O ministro também rebateu acusações de integrantes do PSDB que o acusaram de transformar a reintegração de posse em questão eleitoral. "Lamento que se tente tergiversar a realidade", disse. "A realidade são militares violando o direito daquelas pessoas, o terrorismo para cima daquelas pessoas", comentou, para lembrar que o secretário nacional de articulação social da Secretaria-Geral da Presidência, Paulo Maldos, estava no terreno porque havia a promessa do prefeito Eduardo Cury (PSDB) de que haveria diálogo (leia texto nesta página).

O ministro insistiu que "de maneira alguma" o governo federal procurou dar qualquer característica eleitoral ao episódio e manifestou respeito pelo governo de São Paulo. Também revelou saber que o governo paulista está tomando algumas iniciativas para reassentar as famílias e disse que o Ministério das Cidades tem se colocado à disposição.

Para Maria do Rosário, não é necessário produzir qualquer outro termo que não "barbárie" para definir o método de desocupação. "Houve violação dos direitos humanos não apenas na operação, na destruição das casas, mas também na falta de preparação de um lugar para as pessoas ire." A ministra acredita que a juíza que determinou a desocupação desconhecia a negociação que havia sem se preocupar com a retaguarda necessária para salvaguardar o direito das famílias.

São Paulo. Para o presidente do PSDB paulista, deputado estadual Pedro Tobias, as declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a ação de desocupação da Polícia Militar na Comunidade do Pinheirinho são "estranhas". "Como presidente da República, ela poderia ter desapropriado o terreno com um decreto. Se não gostou da decisão da Justiça (que ordenou a desocupação), é só desapropriar", afirmou Tobias.

Segundo ele, Dilma adotou a "tática que o PT sempre tem em períodos eleitorais: não faz nada e quer tirar casquinha".

Já o governador Geraldo Alckmin, questionado acerca das críticas da presidente, contemporizou e afirmou apenas que "ordens judiciais precisam ser cumpridas". "Não vou fazer nenhum comentário, até porque não ouvi isso da presidenta", disse.

Ele ressaltou, contudo, o "compromisso do Estado com as famílias" desalojadas. "Todas elas serão abrigadas. Já assinamos convênio, todas vão participar do aluguel social, R$ 500 para cada família, já vão para os imóveis a pelo governo."

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