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Pimentel recebe vereadores de Cláudio e provoca Aécio

Candidato do PT ao governo de Minas cobra presidenciável tucano, acusado de usar pista de aeroporto irregularmente

Marcelo Portela e Suzana Inhesta, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2014 | 22h22

Belo Horizonte - O candidato do PT ao governo de Minas Gerais, o ex-ministro Fernando Pimentel, reuniu-se nesta segunda-feira, 28, com vereadores, ex-prefeitos e lideranças políticas de Cláudio, município do centro-oeste mineiro no qual o governo do Estado construiu um aeroporto, nos anos 1980, em fazenda que pertencia a um parente do hoje presidenciável do PSDB, Aécio Neves.

No encontro, ele alfinetou o tucano, que teria usado o local mesmo sem a homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Eu não uso pista clandestina e lá é uma pista clandestina”, afirmou o petista.

A obra tornou-se objeto de polêmica entre o PT e Aécio desde o último dia 20, quando reportagem da Folha de S.Paulo informou que, em 2009, o governo mineiro, sob gestão do tucano, investiu R$ 13,9 milhões para construir uma pista de asfalto no local. O aeroporto fica a 6 quilômetros de uma propriedade do presidenciável do PSDB. Ainda sem homologação pela Anac, há indícios de que o local tem sido usado de forma ilegal.

Apesar da crítica a Aécio, feita depois da reunião com os vereadores, Pimentel negou que o assunto tenha sido debatido por eles. Em São Paulo, Aécio voltou a evitar comentários sobre se já havia utilizado o local.

Na semana passada, a Anac informou que vai notificar o governo mineiro, que tem a outorga do aeroporto, e a prefeitura de Cláudio – pois, segundo ela, qualquer operação no terminal é ilegal e pode resultar em multa para os envolvidos.

‘Perseguição’. Após esse posicionamento da Anac, a coligação Muda Brasil, de Aécio, afirmou que fará representação contra o PT na Justiça Eleitoral por avaliar que o ato da agência tem por objetivo “perseguir adversários políticos”.

A avaliação do candidato petista é outra. A Anac, diz Pimentel, está apenas cumprindo sua função institucional. “Não tomei conhecimento dessa alegação da campanha do senador Aécio”, disse ele. “Trata-se agora de investigar e está sendo investigado. Quem tiver que dar explicações, que dê. Nós não temos que ficar falando sobre isso”, acrescentou.

Pimentel afirmou ainda que o encontro estava marcado “há mais tempo” e que nele foi falado “de tudo, menos de aeroporto”. “Esse caso está sendo investigado e vai ter as decorrências que houver em outra esfera. Na esfera judicial, imagino”.

O petista negou também que sua campanha pretenda explorar o tema nos debates contra o principal adversário, o também ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB), apoiado por Aécio. “Vamos fazer uma campanha mostrando para Minas propostas, projetos para o futuro. Não faz parte da nossa trajetória ficar investigando. Isso cabe à Justiça. Quem tiver que dar explicações, que dê”, concluiu.

O presidente da Câmara de Cláudio, vereador Neli Rodrigues (PSDC), repetiu o que havia dito Pimentel– que o assunto não foi tratado. Disse ainda que, como a Casa já estava em recesso quando o caso foi divulgado, no dia 20, o Legislativo municipal só vai “se inteirar” sobre o assunto quando retomar os trabalhos, em agosto. Por isso, até o momento, completou, os vereadores não pensaram em apurar o caso.

“Temos aqui também a Cidade Administrativa, que é uma obra gigantesca. Era viável para a cidade de Belo Horizonte? Em momento algum despertou nada de suspeito”, acrescentou, referindo-se à sede do governo mineiro, também construída durante a gestão de Aécio no Executivo estadual.

“Tínhamos e temos outras prioridades. Mas a cidade ganhou com o aeroporto”, disse em seguida, referindo-se ao fato de que o terminal “atende a alguns empresários”. Mas mencionou, também, que a produção das fundições da cidade, citada por Aécio como justificativa para as obras no aeroporto, é comercializada “por caminhão’.

Explicações. Em São Paulo, onde participou de reunião com empresários e com o Terceiro Setor, Aécio evitou novamente responder se usou o aeroporto em condições ainda irregulares – visto que ele ainda não está homologado. Ele repetiu que o assunto “já está mais do que discutido. As explicações todas que eu dei estão aí”.

Em entrevista ao Estado, divulgada no domingo, o tio-avô de Aécio, Múcio Tolentino, afirmou que o aeroporto de Cláudio era para todo mundo usar, “inclusive o governador” e que já havia sido “de uso público, por mais de 50 anos”. / COLABORARAM RICARDO CHAPOLA e ELIZABETH LOPES

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