Pimentel não deve falar de 'vida privada', diz Dilma

Presidente 'estranha' convocação por atividades de consultoria e deixa ida ao Congresso a critério de ministro, mas base barra pedido da oposição

Fernando Gallo e Andrea Jubé Vianna, de O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h06

A presidente Dilma Rousseff afirmou nessa terça-feira, 13, achar "estranha" a vontade da oposição de que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, seja convocado a dar explicações sobre sua atividade como consultor no Congresso, pois seriam "da vida pessoal passada dele", e não assuntos de governo. As atividades de sua empresa, a P-21, levaram Pimentel a virar alvo de suspeitas de tráfico de influência.

"O governo só acha o seguinte: é estranho que o ministro preste satisfações no Congresso da vida privada, da vida pessoal passada dele. Se ele achar que deve ir, ele pode ir. Se achar que não deve ir, ele não vai", disse Dilma, em viagem a Porto Alegre. Em seguida, a presidente ressalvou: "Agora, sobre assuntos do governo, é obrigado a ir".

Pimentel foi prefeito de Belo Horizonte e, após deixar o cargo, prestou consultoria através da P-21 a empresas que têm com a administração da capital mineira. O ministro é o primeiro da cota pessoal de Dilma a sofrer desgaste após a demissão de sete ministros neste primeiro ano de mandato. Na quinta-feira, a presidente incentivara Pimentel, de quem é amigo desde a juventude, a "resistir" às denúncias.

Convocação. Mais do que palavras, a posição de Dilma surtiu efeito. Nessa terça, a tropa de choque do governo entrou em campo e barrou a convocação de Pimentel na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado. As bancadas do PT e do PMDB se mobilizaram para rejeitar o pedido da oposição, apesar de senadores do PDT e do PP apoiarem o convite ao ministro, sob alegação de que seus correligionários na Esplanada foram ao Congresso dar explicações.

O requerimento do líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), foi rejeitado por 8 votos a 5. "Os ministros do PT são blindados com a força da maioria esmagadora do governo e os demais podem ser jogados ao mar. Há dois pesos e duas medidas", atacou o tucano.

Embora da base aliada, o senador Ivo Cassol (PP-RO) lembrou que o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), foi ao Senado dar explicações sobre irregularidades na pasta. E provocou Pimentel: "Ministro que tem medo de vir numa comissão não pode ser ministro".

Ao defender o ministro petista, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), seguiu a mesma argumentação de Dilma e disse que as acusações contra Pimentel não envolvem "ações do governo federal". O líder do PT, Humberto Costa (PE), argumentou que o ministro não exercia cargo público quando prestou as consultorias e que as empresas que o contrataram não mantinham contratos com o governo federal.

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