'Pibinho' põe empregos em risco, prevê Campos

Entre sindicalistas da Força, que já declaram apoio à sua candidatura em 2014, governador de PE diz que desânimo com economia afetará mercado

Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 02h14

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, voltou ontem a criticar a política econômica do governo Dilma Rousseff, do qual o seu partido faz parte. Em um evento com lideranças nacionais da Força Sindical, ele afirmou que a ausência de uma estratégia que privilegie o crescimento da economia ameaça a geração de empregos no Brasil.

"Se a economia não animar, podemos correr o risco de afetar o mercado de trabalho no Brasil", afirmou, ao fazer ressalvas à política de desonerações adotada por Dilma. O tema já havia sido levantado por ele na última sexta-feira, em um evento em Santos, litoral paulista.

"O tático não deve engolir o estratégico. Isso não quer dizer que não se possa lançar mão de medidas de desoneração pontuais, mas é fundamental que haja estratégia. É importante a desoneração da folha para manter o emprego, mas não é só a desoneração que vai manter o emprego."

Cotado para disputar a Presidência em 2014, o governador disse que o País passa por um processo de desaceleração na economia desde 2011, ano que Dilma assumiu a Presidência. Ele cobrou mais investimentos.

"Nós estamos vivendo um processo de desaceleração da economia desde 2011 e precisamos efetivamente de mais investimento na vida pública brasileira. Os investimentos do mundo privado vão vir na hora que passarmos confiança e que o mercado entender que as perspectivas levam a dar segurança a um novo ciclo de investimento."

Segundo Campos, para que os empresários voltem a ter confiança no País, é preciso que o governo acelere a votação de novos marcos regulatórios. "É fundamental que regras sobre uma série de setores estratégicos sejam consolidadas. Elas estão em suspenso, aguardando a votação de novos marcos. Os velhos marcos já não servem mais", disse.

O governador tem aumentado a frequência das suas críticas em relação à conjuntura econômica do País. De uma maneira geral, o governo tem sido criticado pelo baixo crescimento do PIB e pelo aumento da inflação. Porém, pesquisas recentes mostraram que Dilma atingiu recordes de aprovação pessoal beneficiada pelo baixo índice de desemprego e pelo crescimento da renda dos trabalhadores.

Apoio. "Nossa central tem gente de todos os partidos, mas vê com muito bons olhos a sua candidatura", disse a Eduardo Campos o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), conhecido como Paulinho da Força. Ao abrir o evento ao lado de Campos, ele expressou descontentamento com a presidente. "Estamos bastante incomodados com os quase três anos de governo Dilma", disse.

O ato de ontem faz parte de um ciclo de debates promovido pela Força Sindical antes do 1.º maio, quando é comemorado o Dia do Trabalho, e serviu para apresentar Campos às lideranças da central, que tem uma ala historicamente ligada ao PSDB. Segundo o deputado, o PDT está conversando com Campos sobre 2014 e vê a candidatura do governador como "uma alternativa à esquerda". "A candidatura de Campos é a oportunidade que a esquerda tem de discutir uma alternativa (de poder)", afirmou. Segundo ele, o fato de o partido ter retomado o comando do Ministério do Trabalho não significa que terá de apoiar Dilma. "(O ministério) faz parte do acordo de 2010. Não tem nada a ver com 2014."

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