PGR quer inquérito contra Demóstenes, que deixa liderança

Senador é suspeito de envolvimento com máfia dos caça-níqueis; DEM nomeou José Agripino novo líder da bancada

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h04

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que abra um inquérito para investigar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e outros parlamentares suspeitos de ligação com o empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Nos detalhes do pedido, entre os crimes a serem investigados constam os de corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa.Pressionado pelas denúncias, Demóstenes deixou ontem a liderança do partido.

Segundo os congressistas que estiveram ontem na Procuradoria-Geral da República, Gurgel também informou que vai encaminhar ao Senado e à Câmara listas com os nomes dos senadores e deputados suspeitos de ligação com Cachoeira. Em outra frente de investigação, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirmou que seu partido vai pedir a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética contra Demóstenes.

Liderança. Para diminuir sua exposição, o senador renunciou ao posto de líder do DEM no Senado. José Agripino (RN), presidente do partido, assumiu o cargo dizendo que, se comprovado o envolvimento de Demóstenes com o esquema de Cachoeira, o DEM terá de tomar a decisão de punir. "Estamos no campo das hipóteses. Evidentemente um partido com a história do DEM, que fez o que já fez, chegando à expulsão de um governador (José Roberto Arruda, do DF), tem autoridade moral para dizer que vai fazer o que os outros partidos nunca fizeram."

Segundo ele, o DEM vai esperar que a Procuradoria-Geral da República diga "quem é culpado e quais as faltas cometidas". Agripino disse ainda que Demóstenes espera pela divulgação do inquérito sobre a Operação Monte Carlo para se defender. "Não convivemos com a perda de ética", frisou Agripino. À tarde, Demóstenes divulgou cópia da carta que encaminhou ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na qual expressa o desejo de ocupar a tribuna tão logo tenha acesso ao conteúdo dos autos. "Não me escusarei de responder a qualquer questionamento que, porventura, seja feito pelos senhores senadores", afirma na carta.

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