PF também questiona autenticidade de rubricas

Laudo da Polícia Federal também ataca a autenticidade das rubricas apostas nas cinco páginas da Lista de Furnas. Com relação à cópia distribuída por Nilton Monteiro, os peritos da PF encontraram inconsistências e, por falta de elementos técnicos, se abstiveram de dar parecer conclusivo. A cópia mostra supostos beneficiários de caixa 2 que não constavam da lista original.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h05

As páginas são compostas de duas colunas, uma com o nome do político e outra com o valor do caixa 2 correspondente. O dinheiro teria sido arrecadado junto a fornecedores, prestadores de serviços, bancos, fundos de pensão, corretoras e seguradoras que tinham negócios com Furnas. Além do PSDB, a lista inclui nomes de outros 12 partidos coligados na época com os tucanos. Vários processaram o autor, que está preso desde outubro.

Um dos principais atingidos é o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, hoje deputado federal pelo PSDB, que chegou a responder processo de cassação por quebra de decoro. Inocentado, ele disse que o laudo do perito americano "desmascara de vez" a lista de Furnas. No caso do laudo brasileiro, Azeredo afirmou que a conclusão ficou prejudicada porque a lista tinha três versões distintas, o que impediu a PF de produzir parecer conclusivo.

"É esse o método do fraudador: ele pega alguns fatos verdadeiros e em cima deles faz a montagem criminosa, colando uma assinatura aqui e outra ali para dar aparência de unidade e autenticidade ao documento", disse Azeredo. "O caso mostra também o perigo dos julgamentos precipitados. No fim ficou provado que tudo não passava de conluio entre um deputado petista com um falsário. A injustiça quando acontece, dói muito."

No duelo político com o tucanato, o PT se escuda no laudo oficial da PF, que, apesar de apontar irregularidades na lista, afirma que o original é autêntico. "Os exames não evidenciaram sinais ou características de montagem ou alteração no documento analisado", diz o laudo do Instituto Nacional de Criminalística, assinado pelos peritos Marcos Moraes e Narumi Lima. / V.M.

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