PF prende pivô do 1º escândalo na gestão Lula

Empresário de jogos de azar, Carlinhos Cachoeira, envolvido no caso Waldomiro Diniz, foi um dos alvos de operação deflagrada contra caça-níqueis

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2012 | 03h03

A Polícia Federal prendeu ontem, na Operação Monte Carlo, o empresário do jogo do bicho Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e mais 34 envolvidos num esquema de jogo do bicho e exploração de máquinas caça-níqueis em quatro Estados e no Distrito Federal. Entre os presos estão dois delegados da PF e seis da Polícia Civil, além de cinco oficiais da PM de Goiás, soldados, agentes e servidores públicos, um deles do Judiciário.

Cachoeira foi pivô do primeiro escândalo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, causado com a divulgação de um vídeo em que negociava propina com o então subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz em troca de apoio à aprovação de projetos de legalização de jogos. O assessor foi afastado e condenado por corrupção.

O empresário foi preso em sua casa, em Goiânia, por volta das 6 horas e não ofereceu resistência. Seu advogado, Ricardo Sayeg, considerou a prisão "abusiva" e a operação "superdimensionada". Ontem mesmo ele entrou com pedido de habeas corpus. "O ato de que ele é acusado é mera contravenção, coisa para juizado de pequenas causas e sequer dá detenção", disse.

Durante as investigações, a polícia e o Ministério Público captaram diálogos e flagraram contatos de Cachoeira e membros da organização com políticos. Mas como eles têm prerrogativa de foro especial, não foram investigados. Um deles seria alto assessor do governo federal. "Não sabemos se há ou não crime nesses contatos, por isso enviamos os dados para a Procuradoria-Geral da República decidir se manda prosseguir as investigações", explicou o procurador da República Daniel Resende Salgado.

Esquema. Conforme a investigação, policiais e militares recebiam propinas regulares - semanais e mensais - para dar proteção aos exploradores da jogatina, vazar informações sobre ações repressivas e despistar as fiscalizações. O valor da propina variava conforme a patente do militar ou a função do policial. As maiores fatias iam para os delegados, que recebiam até R$ 4 mil mensais. Um soldado ganhava entre R$ 180 e R$ 200 por dia de serviço para a organização. Já um sargento recebia diárias de R$ 300.

Durante a operação foram fechadas seis casas de jogatina, quatro em Valparaíso (GO) e duas em Goiânia. A contabilidade da organização ainda será analisada, mas já se sabe que em apenas uma das casas fechadas foram movimentados R$ 3 milhões em seis meses. Segundo as investigações, Cachoeira vendia "franquias" a empresários interessados no negócio. A polícia estima que mais de 200 casas com máquinas caça-níquel funcionavam nos cinco Estados.

Os principais crimes atribuídos ao grupo são corrupção ativa e passiva, contrabando, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, peculato, violação de sigilo e formação de quadrilha.

No total, 39 policiais de diversas corporações foram investigados. Alguns foram levados para depor e liberados, mas continuam sob investigação. Só da PM de Goiás foram ouvidos 31 suspeitos, sendo um major, um capitão, três tenentes, dois sargentos, quatro cabos e 18 soldados.

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