PF prende ex-cunhado de Cachoeira

Polícia descobriu que Adriano Aprígio enviou e-mails com ameaças à procuradora que atuou na Monte Carlo e investiga esquema

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2012 | 03h05

A Polícia Federal em Goiás prendeu na manhã de ontem, em Goiânia, Adriano Aprígio de Souza, ex-cunhado do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ele foi preso por ameaçar a procuradora da República Léa Batista de Souza, que investiga a atuação do esquema. A PF cumpriu as ordens de prisão e de busca e apreensão expedidas pela Justiça Federal, a pedido do Ministério Público.

Apontado pela polícia como um dos laranjas do contraventor, Adriano Aprígio enviou, segundo as investigações, dois e-mails apócrifos em tom ameaçador à procuradora que atuou na Operação Monte Carlo da PF e que terminou por desbaratar o esquema de jogos ilegais, corrupção e tráfico de influência comandado por Carlinhos Cachoeira. O primeiro foi enviado dia 13 de junho, dizendo que Léa Batista teria sido "dura" demais com o grupo de Cachoeira. A segunda mensagem ocorreu no dia 23, com palavras de baixo calão e ameaças a ela e à família dela.

Após a segunda ameaça, Léa passou a receber proteção policial. Ela já disse que não vai abandonar o caso, ao contrário do que decidiu o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, responsável pela prisão de Cachoeira no fim de fevereiro. A CPI do Cachoeira aprovou na quinta-feira convite para que o juiz fale sobre as ameaças que sofreu.

Ao rastrear o emissor das mensagens, a PF descobriu que elas partiram de um computador cujo IP estava na casa de Adriano Aprígio. "Rastreamos os e-mails e assim chegamos até o apartamento do Adriano", ressaltou o delegado Raul Alexandre, da PF. "Lá, além de efetuar a prisão também apreendemos um computador."

Conforme o delegado, as mensagens começaram a ser recebidas pela procuradora no dia 13 de junho. A prisão temporária, segundo ele, é pelo prazo de dez dias.

Repúdio. Os procuradores da República Daniel de Resende Salgado e Marcelo Ribeiro de Oliveira, que cuidaram do caso, divulgaram nota repudiando as ameaças. "Veladas ou ostensivas não nos farão retroceder. Tentativas de intimidação não adiantarão. Continuaremos firmes na defesa da sociedade."

Para o presidente em exercício da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, a prisão de Adriano Aprígio comprova a gravidade das ameaças. "Quando se trata de combate a organizações criminosas, é necessário ter muita cautela. Por isso, a associação prestou todo o apoio aos colegas e solicitou também ao Corregedor Nacional do MP, Jeferson Luiz Pereira Coelho, providências para garantir a segurança de todos os envolvidos das investigações", afirmou Cavalcanti.

O dirigente da ANPR disse que, a despeito das ameaças, não houve por parte de integrantes da instituição nenhum pedido de afastamento do caso. Cavalcanti também destacou a atuação no caso do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que enviou uma comitiva à Goiânia.

O ex-cunhado de Cachoeira já foi denunciado por envolvimento no esquema de jogos ilegais e corrupção descoberto pela Operação Monte Carlo.

Mossoró. O Ministério Público Federal (MPF) entrou com recurso no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) para que Carlinhos Cachoeira volte para a penitenciária federal de Mossoró (RN). Para o procurador regional da República Carlos Alberto Vilhena, a 3.ª Turma do TRF-1 não tinha competência para determinar a transferência de Cachoeira de Mossoró para o complexo penitenciário da Papuda, em Brasília.

A pedido da defesa de Cachoeira, o desembargador do TRF-1 Tourinho Neto concedeu no dia 16 de abril liminar para revogar a transferência do contraventor para Mossoró, um presídio com Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). / COLABOROU RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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