PF prende 17 e desmonta grupo que extraía ouro de área indígena

A Operação Eldorado da Polícia Federal desbaratou ontem, após um trabalho de dez meses e com participação de cerca de 300 agentes, uma organização especializada na extração ilegal de ouro em áreas indígenas e sua venda, via distribuidoras de títulos, para investidores financeiros em São Paulo.

FÁTIMA LESSA , ESPECIAL PARA O ESTADO/ CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h02

Até o fim da tarde de ontem, 17 pessoas estavam presas - entre elas um empresário e um segundo-sargento da Marinha que operava no esquema autorizando o transporte do mineral dos Estados. Os policiais tinham em mãos 28 mandados de prisão temporária, 64 de busca e apreensão e 8 de condução coercitiva em 7 Estados - Mato Grosso, Pará, Rondônia, Amazonas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os mandados foram expedidos pelo juiz Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Florenza, da 5.ª vara da Justiça Federal de Mato Grosso.

A atividade aurífera se concentrava em terras indígenas dos Kayabi e Munduruku, na região de Matupá e Alta Floresta, numa área ao longo do Rio Teles Pires entre Mato Grosso. Pará e Rondônia. Segundo os autos, além de garimpeiros participavam do esquema lideranças indígenas, cooperativas de garimpeiros e empresários autorizados pelo Banco Central a comprar o ouro.

A organização era composta por quatro grupos: indígenas, donos de balsas/garimpeiros, dedicados à extração ilegal de ouro no Rio Teles Pires, proprietários - responsáveis pelos postos de compra de ouro - e distribuidoras de títulos imobiliários.

O delegado Wilson Rodrigues de Souza Filho, responsável pela investigação, disse que o ouro era adquirido pelas distribuidoras e, após dissimulada sua origem, vendido como ativo financeiro a investidores em São Paulo. A área de extração não era autorizada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral. A operação já durava cinco anos.

Nos dez meses de investigação a PF analisou 40 mil notas fiscais frias e constatou que uma das distribuidoras - eram três no esquema - movimentou mais de R$ 150 milhões. Segundo o delegado Souza Filho, empresas autorizadas pelo Banco Central para comprar ouro como ativo financeiro "atuavam esquentando o ouro por cooperativa de garimpeiros com notas frias".

Em Cuiabá, um dos acusados de participarem do esquema é Waldemir Melo, proprietário da empresa Pimental, que opera em bolsa de futuros para comercializar o ouro como ativo de investimento financeiro. No seu apartamento foram encontrados cerca de 20 quilos de ouro, avaliados em R$ 2 milhões.

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