PF pede quebra de sigilo de conta pessoal de ex-assessor de Lula

Investigação rastreia destino de recursos do esquema de Valério que foram repassados a Freud Godoy

Marcelo Portela / Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2013 | 02h02

A Polícia Federal em Minas pediu à Justiça a quebra do sigilo bancário de uma conta pessoal em nome do ex-assessor da Presidência Freud Godoy e de sua mulher, Simone Godoy. A medida faz parte das investigações para rastrear pagamentos da agência SMPB, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, ao ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A investigação pretende identificar supostos beneficiários de depósitos feitos com dinheiro do esquema de Valério. A apuração ganhou novo impulso após depoimento do empresário à Procuradoria-Geral da República em setembro, já durante o julgamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal, cujo teor foi revelado pelo Estado.

O foco inicial da apuração era a empresa Caso, de propriedade do casal. No depoimento, Valério afirmou que em 2003 fez repasses a Freud Godoy para custear despesas pessoais de Lula. O ex-presidente nega.

A PF descobriu que um dos repasses, de R$ 98,5mil, não foi depositado na conta da empresa, e sim na conta de pessoa física que o casal mantém em uma agência do Santander em São Bernardo do Campo (SP). Se a Justiça autorizar a quebra do sigilo, os investigadores querem descobrir quem se beneficiou desses recursos.

Godoy alegou que o dinheiro seria o pagamento por serviços prestados durante a campanha presidencial de 2002.

A movimentação financeira da SMPB e da DNA, outra agência de publicidade usada no esquema do mensalão, já era alvo de inquéritos da PF e da Procuradoria da República em Minas, mas as declarações do empresário ajudaram a preencher lacunas nas apurações.

Delação. Ontem, o jornal Folha de S.Paulo informou que o empresário recusou um acordo de delação premiada para prestar declarações em inquérito instaurado pela PF em Brasília, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), com base no depoimento prestado em setembro. Mas, de acordo com a Procuradoria-Geral, o empresário ainda pode ser intimado para ser ouvido nas demais investigações que ainda tramitam em torno do esquema.

Valério teria recusado a oferta de delação porque o acordo não afetaria a condenação a mais de 40 anos de prisão decidida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do processo do mensalão. O advogado Marcelo Leonardo, que defende o empresário, não foi localizado ontem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.