PF investiga ex-chefe da Casa da Moeda

Luiz Felipe Denucci Martins é suspeito de utilizar empréstimo para esconder transação de lavagem de dinheiro; ele nega a acusação

ALANA RIZZO, FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h06

Nomeado em 2008 para a presidência da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci Martins entrou na mira da Polícia Federal e do Ministério Público por exibir credenciais e movimentações financeiras milionárias típicas de um especialista em lavagem de dinheiro.

O Estado teve acesso ao inquérito 1286/2006, da PF, que relata o fluxo suspeito de recursos do exterior para as contas do servidor no Brasil. As investigações indicam ainda que Denucci tentou obter junto ao Banco Central a autorização para montar uma instituição financeira para trazer dinheiro do exterior.

Segundo o inquérito, a Procuradoria da República no Rio de Janeiro apurou que um empréstimo de U$ 1 milhão de um banco europeu (Painwebber International Bank Ltda.), informado à Receita por Denucci, foi realizado apenas para dar aparência legal à internação desses recursos. Ou seja, teria sido um empréstimo falso apenas para encobrir de legalidade dinheiro ilegal.

"Todo o contexto já coligido gera suspeita acerca da existência real do empréstimo obtido junto a Painwebber Bank, o que reforça a necessidade de investigação", afirma o MPF. Em outra operação considerada suspeita, desta vez realizada por meio de uma agência do Banco do Brasil em Miami (EUA), Denucci transferiu R$ 1,7 milhão, em junho de 2002, em valores da época, para sua conta corrente.

A procuradoria também cita procedimentos supostamente ilícitos usados pelo ex-presidente da Casa da Moeda para ocultar a variação do seu patrimônio (R$ 60 mil a R$ 699 mil em dois anos). Denucci teria omitido a existência de bens e comprado, segundo a Receita Federal, um apartamento em Copacabana pelo valor de R$ 0,10 (sic).

Todas essas informações já estavam sendo analisadas pela Justiça quando Denucci foi nomeado para chefiar a Casa da Moeda em 2008. Indicado pelo PTB, ele perdeu o apoio político em 2010.

O ex-presidente da Casa da Moeda é suspeito, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, de receber propina de fornecedores da Casa da Moeda, através de duas offshores norte-americanas. Os valores teriam sido transferidos a essas empresas por meio de uma intermediária, a WIT Money Services Express, com sede em Londres.

Demitido no último sábado, o funcionário aposentado do Banco Central, tentou transformar, ainda, em 2004, uma de suas empresas, a Horizonte Empreendimentos Ltda., em uma instituição especializada em trazer dinheiro do exterior para o país.

Defesa. O advogado de Denucci, Edson de Siqueira Ribeiro Filho, negou que seu cliente tenha feito operações fictícias para internalizar dinheiro no Brasil. Segundo ele, o empréstimo na Europa foi legal e está devidamente registrado. "Não foi fictício. O contrato consta do inquérito. O dinheiro foi transferido para o Banco do Brasil de Nova York e, em seguida, para o Banco do Brasil aqui no País. Todos os impostos foram pagos", afirmou.

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