PF indicia Cachoeira e mais 81 por corrupção e lavagem

Relatório do inquérito foi enviado à Justiça, que vai aguardar parecer do Ministério Público para oferecer denúncia

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2012 | 03h08

A Polícia Federal indiciou ontem o empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e mais 81 pessoas por envolvimento no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e exploração de máquinas caça-níqueis, desmantelada pela Operação Monte Carlo. O relatório final do inquérito foi remetido à Justiça, que aguardará parecer do Ministério Público Federal sobre o oferecimento de denúncia contra os acusados.

Desencadeada em 29 de fevereiro em três Estados e no Distrito Federal, a operação levou à prisão 35 pessoas, entre as quais dois delegados da própria PF, seis delegados da Polícia Civil e cinco oficiais da Polícia Militar de Goiás. Eles são acusados de receber propina regular para blindar as atividades de Cachoeira contra as ações policiais.

Ele foi pivô do primeiro escândalo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - a divulgação de um vídeo em que ele negociava propina com o subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, em troca de apoio à aprovação de projetos de legalização de jogos. Diniz, então ligado a José Dirceu, foi condenado recentemente por corrupção.

Os indiciados responderão pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, evasão de divisas, peculato, contrabando, formação de quadrilha e violação de sigilo, além da contravenção penal por exploração de jogo de azar. Com prisão preventiva decretada, sete membros do esquema continuam detidos.

Entre eles estão o próprio Cachoeira, recolhido ao presídio federal de Mossoró e o sargento reformado da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos principais operadores da organização. Interceptações telefônicas com autorização judicial mostraram uma rede extensa de políticos que se relacionavam com Cachoeira - entre eles o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

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