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PF flagra 22 citações a ex-número 2 da Delta

Ligação entre Pacheco e Cachoeira mina tática de atribuir desvios a ex-regional

ALFREDO JUNQUEIRA , ENVIADO ESPECIAL, FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2012 | 03h05

A estratégia da construtora Delta de jogar sobre seu ex-diretor Cláudio Abreu toda a responsabilidade pelos desvios identificados na Operação Monte Carlo esbarra no farto material de investigação que a Polícia Federal tem sobre outros integrantes da cúpula da empresa.

O inquérito, que tramita na 11.ª Vara Criminal Federal de Goiás, mostra que Carlos Pacheco, diretor executivo licenciado da Delta - o número dois da construtora -, e Heraldo Puccini Neto, responsável pela empresa na Região Sudeste e considerado foragido da Justiça, mantiveram contato frequente com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e outros integrantes de sua organização entre março e agosto do ano passado.

A PF também identifica referências ao dono da empresa, Fernando Cavendish - que se licenciou da presidência do conselho da construtora há dez dias -, em conversas de Cachoeira com Abreu e com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Nas gravações feitas pela PF, Pacheco é citado em pelo menos 22 diálogos do contraventor e de seus aliados. Dois encontros foram agendados entre ele e Cachoeira, indicam gravações realizadas em junho e julho do ano passado. Em 15 de junho, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez informa a Cachoeira que está chegando na casa do contraventor "acompanhado de Cláudio, Heraldo e Pacheco".

Pacheco também teria se oferecido como sócio de Cachoeira na compra de um terreno. Em 15 de agosto de 2011, Abreu leva um suposto recado do diretor ao contraventor: "Falei que você tava comprando. Ele tá querendo entrar com você na compra da área". Cachoeira propõe parcerias na construção de imóveis do Programa Minha Casa, Minha vida: "Fala lá com o Pacheco, vê se ele tem interesse".

O contraventor também demonstra intimidade ao falar do número dois da Delta. Em conversa com Abreu no dia 1.º de junho de 2011, Cachoeira manda: "Amanhã, você dá uma cacetada no Pacheco porque não entrou nada viu? Tudo atrasado, tudo atrasado". No dia seguinte, Cachoeira pede a Abreu que mande um avião a Brasília para levar Demóstenes ao encontro de Pacheco em Goiânia.

Além da Monte Carlo, Pacheco agora tem de prestar esclarecimentos em ação proposta pelo Ministério Público Federal no Tocantins sobre o suposto uso de documentação falsa para que a Delta participasse de licitações para prestação de serviços de limpeza urbana.

Santa Catarina. Acusado de pagar propina a um ex-servidor do governo do DF e de praticar tráfico de influência na administração distrital, Puccini Neto é considerado fugitivo há dez dias. As escutas telefônicas da PF mostram que ele também apelou aos serviços de Cachoeira para tentar fazer a empresa ganhar contratos em Santa Catarina.

No dia 2 de maio do ano passado, Puccini Neto sugere que o contraventor fale com Demóstenes para que o senador intercedesse em favor da empresa no Estado. Na época, o parlamentar ainda era uma liderança expressiva do DEM, partido que também havia eleito o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo - atualmente filiado ao PSD.

"Eu acho que seria interessante, agora surgiu (sic) alguns assuntos lá naquele Estado de Santa Catarina, que eu acho que seria importante uma conversa com o Demo", diz Puccini Neto, referindo-se ao senador de Goiás. "Ou aqui em São Paulo, ou aí em Brasília, ou onde for, para ele, de repente, ser o nosso interlocutor no assunto lá de Santa Catarina", sugere.

A investigação deixa clara a relação de intimidade entre Cachoeira e Puccini Neto, que exalta o contraventor num diálogo em 28 de julho de 2011: "Meu grande diretor! Tô morrendo de saudade de você, rapaz! Você chega de viagem, não pergunta por mim. Eu preciso saber da sua vida, pô. Tô com saudade!". Na conversa, sobre amenidades, o diretor da Delta sonda o contraventor a respeito do que fará à noite. Como resposta, ouve o convite: "Vamos tomar um vinho, então".

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