PF desarticula grupo acusado de desviar R$ 30 mi do Dnit

Ministro dos Transportes exonerou ontem o superintendente do órgão em Rondônia envolvido no esquema

NILTON SALINA, ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO VELHO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h01

Cinco funcionários do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Rondônia foram afastados do cargo ontem pela Justiça a pedido do Ministério Público Federal. Segundo a Polícia Federal, eles são suspeitos de integrar uma quadrilha que desviou mais de R$ 30 milhões durante o asfaltamento de dois trechos da BR-429, em um total de 97 quilômetros. Ontem mesmo, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, assinou a exoneração do superintendente do órgão no Estado, Ribamar Oliveira, envolvido no esquema.

A PF deflagrou ontem a operação Anjos do Asfalto e cumpriu 27 mandados de busca e apreensão em Rondônia, outros seis Estados (MG, SP, RJ, MA, PI e AC) e no Distrito Federal. Ao todo, a União repassou R$ 160 milhões à empresa responsável pela obra - cujo nome não foi informado por impedimento judicial. Funcionários de duas empresas que receberam R$ 13 milhões para fiscalizar a execução do empreendimento fariam parte do esquema.

A investigação concluiu que a empresa executora da obra usou material de baixa qualidade e descumpriu o projeto. Constatou também que funcionários do Dnit eram coniventes e omissos em relação às irregularidades. "Imagine quanto se ganha quando o asfalto precisa ter cinco centímetros de espessura mas só tem três. Essas duas empresas deveriam fiscalizar isso", disse o superintendente da PF em Rondônia, Donizete Aparecido Tambani.

Investigação. O representante da Controladoria-Geral da União (CGU), Israel Carvalho, afirmou que a empreiteira executora da obra também recebia por serviços não prestados.

Segundo o superintendente da PF, o esquema montado no Dnit foi descoberto porque um ex-funcionário da empreiteira resolveu denunciar o caso. De acordo com Tambani, ele teria sido forçado a trabalhar irregularmente e acabou demitido por não concordar com o que estava acontecendo.

Tambini disse que, por determinação judicial, os nomes dos envolvidos não poderiam ser fornecidos. A PF colheu indícios de formação de quadrilha, falsificação de documento público, falsidade ideológica, peculato e corrupção ativa e passiva.

Até o fechamento da edição, o Estado não conseguiu contato com Ribamar Oliveira.

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