PF conclui que não houve ataque a tiros em comitê de candidato tucano em Porto Alegre

Laudo afirma que forte ventania teria sido responsável por quebrar vidraça de fachada do local, e não disparos, como inicialmente divulgado pela campanha de Nelson Marchezan Júnior

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2016 | 21h26

PORTO ALEGRE -  A Polícia Federal concluiu nesta quinta-feira, 27, o inquérito sobre o incidente ocorrido no comitê eleitoral de Nelson Marchezan Júnior (PSDB), candidato à prefeitura de Porto Alegre, na madrugada do último dia 17. O laudo da PF aponta que não houve ataques a tiros no local. De acordo com a investigação, uma forte ventania teria sido a responsável por quebrar a vidraça da fachada do comitê.

O laudo foi divulgado à imprensa pela campanha do tucano. No documento enviado pela coligação, a PF lista uma série de fatores para justificar a conclusão de que os danos não foram provocados por uso de arma de fogo. O entorno das vidraças danificadas, por exemplo, não tinha marcas de tiros nem vestígios de munição. Além disso, a investigação averiguou que não havia pedestres nas proximidades e tampouco veículos em atitude suspeita.

No documento, a PF afirma que as condições climáticas eram "extremamente desfavoráveis" na cidade na ocasião do episódio. Naquela madrugada, segundo o documento, Porto Alegre registrou intensa e incomum atividade elétrica nos céus, grande volume de chuva concentrada, fortes rajadas de vento, trovoadas e relâmpagos intermitentes. "A perícia considera factível a hipótese de quebra dos vidros por pressão de vento", diz o laudo.

No dia do ocorrido, a campanha de Marchezan relatou que o comitê - que fica no segundo andar de um prédio na esquina de uma das avenidas mais movimentadas de Porto Alegre - foi atacado a tiros duas vezes. Na primeira, por volta de meia-noite, dois disparos teriam trincado parte das janelas. O segurança que estava no local, então, pediu reforço. Cerca de uma hora depois, quando já havia mais gente no lugar, cerca de dez tiros teriam sido disparados, estourando parte dos vidros. Imagens do circuito interno de TV mostram as pessoas se jogando no chão no momento do incidente. Na época, a coligação de Marchezan registrou boletim de ocorrência e o caso passou a ser investigado pela Polícia Federal.

O laudo da PF diz que as testemunhas que estavam no comitê afirmam que teriam ouvido barulhos de tiros, "mas não podem afirmar que foram tiros, realmente, que danificaram os vidros". Na noite desta quinta-feira, após o laudo vir a público, a equipe do candidato tucano emitiu nota comentando o desfecho.

"A coligação manifesta seu alívio em saber que os fatos provavelmente não tiveram conotação violenta, tampouco motivação política ou mesmo uma 'guerra' entre traficantes e seguranças, como chegou a ser divulgado pela imprensa", diz o texto. A nota ainda afirma que a coligação contribuiu com as investigações entregando as imagens das câmeras internas e facilitando a coleta de provas.

O segundo turno da eleição em Porto Alegre foi marcado pelo clima tenso, com o acirramento da disputa. Após o incidente no comitê, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, chegou a oferecer escolta da Polícia Federal para Marchezan e seu adversário na corrida pela prefeitura, o atual vice-prefeito, Sebastião Melo (PMDB).

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