PF combate esquema de desvio em 11 Estados

Só em Minas rombo nos cofres públicos seria de R$ 70 mi; dois ex-prefeitos foram presos; ex-secretário é considerado foragido

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h02

A Polícia Federal deflagrou ontem operação para desbaratar quadrilha acusada de desvio de verbas públicas em mais de 100 municípios de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Sergipe, Santa Catarina, Rio, Pernambuco, Maranhão, Paraíba, Pará e Bahia. O esquema, segundo a PF, foi montado para fraudar licitações. Só em Minas foi houve desvio de mais de R$ 70 milhões em recursos públicos.

Dois ex-prefeitos de municípios mineiros - Warmillon Fonseca Braga (DEM), de Pirapora, e José Benedito Nunes (PT), de Janaúba - foram presos. Já o ex-prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite (PMDB) é considerado foragido. Ele também teve a prisão decretada e é procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), pois estaria em Miami (EUA). Leite teria viajado para os EUA há cerca de uma semana, com a justificativa de fazer um tratamento médico.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis de outros suspeitos de integrar a quadrilha.

Segundo o delegado Marcelo Freitas, chefe da PF em Montes Claros, onde foram centralizadas as investigações, a prisão do ex-prefeito é "questão de tempo". Ao todo, de acordo com a PF, foram executados 20 mandados de busca e apreensão, 21 de sequestro de bens e valores, três de condução coercitiva e nove de prisão temporárias.

Entre os presos está o advogados e ex-procurador da prefeitura de Montes Claros Sebastião Vieira, que ainda ocupa cargo comissionado no município. O também advogado e ex-procurador da prefeitura montes-clarense Farley Menezes foi alvo de condução coercitiva para prestar depoimento.

O delegado contou que a quadrilha envolve ainda pessoas físicas e jurídicas e servidores públicos. Segundo Freitas, o grupo direcionava licitações para uma empresa do Espírito Santo para aquisição de precatórios com créditos junto à Receita, que eram depois repassados para serem compensados em tributos pelos municípios, artifício vedado pela lei. A PF apurou que também havia negociação de documentos falsos, com assinaturas nos nomes de Cláudio Maia Silva e Ângelo Marinho como auditores da Receita, apesar de essas pessoas não fazerem parte dos quadros do órgão.

De acordo com o delegado da PF, o esquema provocou uma "sangria de milhões de reais dos cofres públicos", principalmente do "sofrido" norte mineiro.

Os acusados serão indiciados por crime contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva. As penas, somadas, ultrapassam 30 anos de prisão.

Defesa. Os advogados dos ex-prefeitos e dos ex-procuradores municipais presos na operação não foram localizados ontem pelo Estado. Em nota, o advogado Sanzio Baioneta, que representa Luiz Tadeu Leite, contestou a condição de foragido do seu cliente. Ele disse que o ex-prefeito havia comunicado à PF que iria deixar o País para um tratamento médico.

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