Pezão quer que PMDB concorra ao Planalto em 2018

Pezão quer que PMDB concorra ao Planalto em 2018

Herdeiro de Cabral no Rio diz que partido ‘não pode mais ficar a reboque’ dos outros e deve lançar candidatura própria ao governo

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 22h40


RIO - Reeleito com 55,78% dos votos, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse na manhã de ontem que o PMDB “não pode mais ficar a reboque de outros partidos” e defendeu candidatura própria para a Presidência da República em 2018. 

Aliado da presidente reeleita Dilma Rousseff, embora tenha recebido apoio também do PSDB do candidato derrotado Aécio Neves, Pezão afirmou que o PMDB deve ir além do papel de garantia da governabilidade. “Não dá mais para o PMDB ir a reboque de nenhum outro partido. É muito ruim um partido que não almeje ter candidato a presidente”, disse Pezão em entrevista coletiva.

A partir de 2015 o PMDB comandará sete Estados, dois a mais do que elegeu em 2010. “Quem serve para a governabilidade serve para governar”, afirmou Pezão, que evitou citar nomes de possíveis candidatos. “Vou trabalhar muito para que o PMDB tenha um projeto nacional. É o partido que mais tem capilaridade no Brasil, temos mais prefeitos, mais vereadores, sete governadores eleitos.”

Pezão comentou a divisão do partido entre Dilma e Aécio e disse que o projeto de uma candidatura presidencial unificará a legenda. “Não dá mais para o PMDB ter uma visão em cada Estado, em cada cidade. O partido tem que dar uma grande oxigenada. A gente tem que unificar o partido e sonhar com a Presidência. Temos excelentes quadros pelo Brasil afora”, disse.

O governador passou a manhã concedendo entrevistas a rádios e emissoras da TV. Pezão disse ter sido “muito difícil” usar a tática de desconstrução de seu adversário no 2.º turno, o senador Marcelo Crivella (PRB).

A campanha do PMDB explorou o fato de Crivella ser da Igreja Universal e sobrinho do líder Edir Macedo. O governador e seus aliados diziam que, se eleito, Crivella privilegiaria integrantes da igreja na distribuição de programas sociais.

“Não é meu estilo. Mas passei o 1.º turno apanhando de quatro candidatos, não tinha como reagir a cada um. Quando ficou um contra um, tive que mostrar o que estava por trás da candidatura do bispo Crivella”, afirmou o governador à rádio CBN. O senador do PRB é bispo licenciado da Universal.

Ecos. As manifestações de junho do ano passado, que foram mais intensas no Rio de Janeiro e tiveram como alvo o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), ainda têm repercussão no Estado, na avaliação do governador. “Estão aí os ecos das manifestações. Estou atento às ruas, temos que ouvir sempre”, disse.

Na noite de domingo, Crivella anunciou que vai acompanhar as denúncias do Ministério Público Eleitoral de uso da máquina pública pela campanha do PMDB e poderá entrar na Justiça contra a reeleição de Pezão. “É um direito dele e é meu direito me defender na Justiça e mostrar que fizemos tudo rigorosamente dentro da lei”, respondeu Pezão. 

Nos próximos quatro anos de governo, saúde e segurança serão as prioridades da gestão, disse Pezão. O governador gostaria de manter o atual secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. “Não tive tempo de conversar com Beltrame, quero que ele fique. Vai depender da vontade dele. Se continuar no governo, Beltrame terá autonomia total, como teve no governo do Sérgio (ex-governador Sérgio Cabral)”, declarou. 

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