Petrobrás pagou em 2013 viagem VIP para deputado investigado

Luiz Argôlo seguiu da Bahia para o Rio de Janeiro com despesas aéreas e diárias em hotel 5 estrelas custeadas pela estatal

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 23h26

Atualizado em 15.10

BRASÍLIA - Acusado pela Polícia Federal de ter aberto portas para o doleiro Alberto Youssef na Petrobrás, o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) tinha uma rede de contatos dentro da petroleira. Documentos aos quais o Estado teve acesso mostram que ele foi escolhido pela estatal para uma viagem VIP no fim de abril do ano passado ao Rio de Janeiro, onde teria acesso a áreas como o Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes) mesmo sem ter atuação naquele momento em comissões relacionadas aos interesses da empresa. 

Quatro executivos da empresa foram destacados para acompanhar a excursão. Diz o convite que “os empregados da Petrobrás, Paulo Brahim Adba, coordenador da visita; José Eduardo Sobral Barrocas, gerente do Escritório de Brasília do Gabinete da Presidente; Carlos Henrique Lopes Sampaio, Gerente de Relacionamento com o Poder Legislativo; e Fernando Xavier, Coordenador de Relacionamento junto aos Órgãos de Controle, acompanharão os convidados.” Barrocas é um dos homens mais próximos da presidente da Petrobrás, Graça Foster. Ele foi afastado da chefia do gabinete da empresa em Brasília após se envolver na combinação de perguntas na CPI da Petrobrás. Hoje está lotado no gabinete de Graça no Rio. 

A viagem foi custeada pela empresa desde as passagens aéreas até a hospedagem.

“O regime de diárias adotado pela Petrobrás será de diárias completas, com refeições e bebidas não alcoólicas servidas durante as mesmas”, diz o convite. A hospedagem foi no hotel Windsor Atlântica, um cinco estrelas em Copacabana com diária média de R$ 700,00. 

O Estado apurou que o elo de Argôlo com a Petrobrás é o gerente de relacionamento com o poder, Carlos Henrique Lopes Sampaio. O executivo é ligado ao PT e ao ex-presidente da empresa José Sérgio Gabrielli, também baiano. O convite para o tour no Rio de Janeiro partiu de Carlos Henrique. 

A partir da relação com Carlos Henrique, o deputado também conseguiu da Petrobrás patrocínios para festas em seus redutos eleitorais na Bahia. A empresa liberou para Transbaião - um trem que percorre 13 municípios do Estado durante as festas juninas - cerca de R$ 300 mil a pedido do deputado. O evento é patrocinado por uma entidade filantrópica ligada ao parlamentar e com atuação pouco conhecida no Estado. 

Além do centro de pesquisa, o deputado também foi convidado a conhecer o Centro Integrado de Processamento de Dados, a Refinaria Duque de Caxias e também ao Centro Nacional de Controle da Transpetro. A Transpetro é presidida por Sérgio Machado, acusado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, em depoimento no inquérito da Operação Lava Jato, de lhe repassar R$ 500 mil supostamente provenientes de propina. Paulo Roberto é acusado pela PF de operar esquema de desvio de dinheiro na empresa ao lado do doleiro Youssef. 

As investigações da Lava Jato mostram que no período em que foi convidado a “conhecer” a Petrobrás, o deputado já mantinha relação de negócios com o doleiro Alberto Youssef. Os dois se falaram 1.411 vezes em 2013 e Youssef teria repassado cerca de R$ 1 milhão do esquema para o parlamentar no período. A relação com o doleiro rendeu ao deputado processo de quebra por decoro parlamentar na Câmara. 

Procurada, a Petrobrás não respondeu aos questionamentos do Estado. O deputado também não ligou de volta. 

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