Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Petrobrás é assunto recorrente em eleições

Crises envolvendo a estatal e ameaças de privatização tomam discursos de campanhas

O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2014 | 22h32

O mesmo petróleo que move máquinas, também move o sentimento de uma nação. E, em tempos de eleição, votos. O petróleo, ou no caso a Petrobrás, tem sido protagonista nas recentes eleições presidenciais. Na atual, está presente nas denúncias do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, acusado de participar em esquema de corrupção na empresa. Nas anteriores, esteve presente no 2.º turno da campanha de 2006, quando a campanha de Lula acusou o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, de pretender privatizar estatais. O golpe foi sentido pelos tucanos. Para reverter a pecha de privatizador, os marqueteiros do PSDB resolveram vestir o candidato tucano numa jaqueta com as logomarcas de diversas estatais, inclusive o da Petrobrás. 


Na eleição presidencial anterior, em 2002, aproveitando a comoção do afundamento da plataforma P-36, uma das maiores do mundo, e da questão da geração de emprego no País, a campanha de Lula prometeu cancelar a encomenda no exterior de três plataformas para serem feitas no Brasil. O assunto foi amplamente utilizada na campanha petista. Entretanto, nenhum candidato entrou no tema. Foi a própria Petrobrás que fez oposição ao discurso de Lula. A empresa, na figura do ex-diretor Francisco Gross, reagiu pedindo direito de resposta no programa do PT e veiculando comerciais na TV - retirados em seguida por determinação do TSE.

Riqueza. O nacionalismo que o petróleo desperta esteve presente em diversos momentos na história do Brasil e sempre foi tratado como uma riqueza a serviço da nação. Em 1952, no debate em que antecedeu a criação da Petróleo do Brasil S.A., o petróleo era visto como a chave para tirar o Brasil da miséria e levá-lo a outro patamar financiando e impulsionando a industrialização. “A independência política de um país esta condicionada pela sua independência econômica e esta resulta em grande parte das suas riquezas naturais. Estas constituem uma dádiva natural e devem ser exploradas exclusivamente para o beneficio da coletividade nacional e não para proporcionar dividendos a grupos privados”, disse Alberto Pasqualini (PTB), ex-senador e um dos relatores da lei que criou a empresa. 


Na época, a ideia de uma empresa brasileira e monopolista não teve só apoio dos setores considerados nacionalistas, mas também contou com a UDN (União Democrática Nacional), ferrenha opositora de Getúlio Vargas que entendeu que o projeto inicial da criação da Petrobrás, enviado ao Legislativo em 1951, poderia abrir a exploração do petróleo para os ‘trustes’ estrangeiros. O projeto original previa a criação de uma empresa de capital misto. Junto com o PTB e outros partidos da base, a UDN trabalhou pelo monopólio e a garantia da aplicação dos recursos do petróleo para alimentar toda a cadeia produtiva nacional.

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