Petistas não retribuem apoio do PSB, diz Campos

Segundo governador de Pernambuco, sigla foi a que mais apoiou o partido governista

LUCIANA NUNES LEAL, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h01

O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, reclamou ontem que o PT não retribui na mesma proporção o apoio que recebe de seu partido no 2.º turno da eleição municipal. Apesar dessa avaliação, ele insistiu que as alianças do PSB com o PSDB não foram feitas em função das eleições de 2014.

"No 1.º turno o PSB foi o partido que mais apoiou o PT, mas só é notícia quando a gente não apoia. No 2.º turno, o PT disputa em 17 cidades e nós o apoiamos em 11. Nós disputamos em 8 cidades e só em 1 o PT nos apoia, desde o 1.º turno, que é o município de Duque de Caxias (RJ). E esse apoio só veio por uma ação direta da Executiva Nacional do PT e do próprio ex-presidente Lula. Isso é um fato real", afirmou o governador durante visita ao estande de Pernambuco de uma feira internacional de turismo que está sendo realizada no Rio.

Adesivos. Campos disse que na manhã de ontem conversou com o senador e ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB), que esteve em Campinas, interior de São Paulo, para apoiar o candidato Jonas Donizette (PSB). Na conversa, Aécio repetiu a brincadeira de que nessas eleições usou mais adesivos do 40 (número do PSB) do que do 45 (número do PSDB). "Recebemos o apoio do PSDB no 2.º turno, em Uberaba (MG) e Campinas. Somos gratos por isso. Essas parcerias vêm de algum tempo, não são feitas em função das próximas eleições", disse Campos.

O governador insistiu que, depois do próximo domingo, será preciso "deseleitoralizar" o debate político no Brasil. O governador lembrou que há uma "pauta muito densa no Congresso" e citou como exemplo a medida provisória para redução da tarifa de energia e o marco regulatório do petróleo.

Neste tema existe um conflito entre Estados e municípios que reivindicam maior participação nos royalties do petróleo e Estados produtores como o Rio de Janeiro, do governador Sérgio Cabral (PMDB), e o Espírito Santo, do governador Renato Casagrande (PSB).

Cobrança. O governador cobrou da União abrir mão de parte dos recursos futuros em favor de Estados e municípios. "Não queremos isolar os governadores Cabral e Casagrande, ninguém vai propor tirar receita do Rio e do Espírito Santo. Queremos uma maneira mais justa de dividir os recursos no futuro. Os municípios vão precisar que a União abra mão de parte da receita. O governo não tem a boa vontade esperada, mas tem alguma boa vontade para que Estados e municípios tenham parte dos royalties para investir em educação, ciência e tecnologia, e não em custeio", afirmou Campos.

O PSB foi um dos partidos que mais cresceram no 1.º turno das eleições, estimulando as pretensões de Campos de disputar a sucessão da presidente Dilma Rousseff daqui a dois anos. Fortaleza é uma das cidades em que o PT e o PSB se enfrentam no 2.º turno.

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2012

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.