Petistas esperam voto favorável, mas criticam adiamento

Avaliação no partido é de que recursos serão aceitos pela Corte; no Planalto, temor é de que reabertura do caso desgaste Dilma

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2013 | 02h14

BRASÍLIA - A possibilidade de um novo julgamento do mensalão divide o PT e preocupa o governo Dilma Rousseff. Mesmo os petistas que temem o desgaste provocado pela reabertura do caso avaliam, porém, que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, interrompeu a sessão de ontem e empurrou a decisão para a semana que vem apenas para que a opinião pública faça pressão contrária à aceitação de novos recursos.

A presidente Dilma Rousseff não quer que o julgamento invada a campanha eleitoral de 2014 e ordenou a lei do silêncio no Palácio do Planalto. De todos os réus do PT, Dilma só conversa com o deputado José Genoino (SP), que sofreu isquemia cerebral no mês passado e pediu aposentadoria por invalidez à Câmara. A presidente é distante do ex-ministro José Dirceu, a quem sucedeu na Casa Civil em 2005, no auge do escândalo do mensalão, e do deputado João Paulo Cunha. No Planalto, dois ministros petistas defendem a reabertura do julgamento: Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Em conversas reservadas, no entanto, candidatos do PT a governos estaduais dizem que o julgamento deveria terminar agora porque os adversários vão fazer o partido "sangrar" na campanha, se o mensalão for revisitado. O Supremo começou a julgar os réus em agosto do ano passado, durante a disputa pelas prefeituras, e o assunto foi um dos temas preferidos dos adversários do PT. Logo após ser eleito prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) não conteve o desabafo, quando perguntado sobre o tema pelo Estado: "Será que eu vou ter de passar a vida inteira respondendo sobre mensalão?".

Para o deputado Paulo Teixeira (SP), secretário-geral do PT, nada pode restringir o direito de um condenado à revisão de sua pena. "Não podemos sacrificar um novo julgamento, que pode corrigir inconsistências e equívocos cometidos na primeira fase, como a tese da formação de quadrilha, com argumentos que não se sustentam", afirmou. "Serão 12 novas análises e creio que o Supremo não ultrapasse 60 dias para fazer isso."

Sessão interrompida. A interrupção da sessão de ontem foi considerada "armada" por muitos petistas. Para eles, o presidente do Supremo só agiu assim para incentivar a pressão da opinião pública contra o esperado voto favorável de Celso de Mello aos réus do mensalão, na quarta-feira.

Amigo de Dirceu, o ex-deputado Paulo Rocha (PT) disse acreditar na reabertura do julgamento. "O Supremo não cometeria um ato de autoritarismo num momento tão importante como esse", comentou Rocha, que teve o nome envolvido no escândalo, renunciou ao mandato de deputado em 2005 para não ser cassado e foi absolvido pelo Supremo no ano passado.

"Um outro julgamento é necessário para mostrar as contradições, a falta de provas e o uso indevido da teoria do domínio do fato", insistiu o deputado Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente nacional do PT, numa referência à teoria que define a responsabilidade do agente público pelo cargo ocupado, mesmo sem haver ato de ofício.

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