Petistas dão largada a ofensiva para trazer Marta à campanha

Vereadores ligados a Haddad pedem reunião com ex-prefeita, que ainda não respondeu; orientação partiu de Lula

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2012 | 03h04

Integrantes do PT deram início a uma ofensiva para fazer a senadora Marta Suplicy (PT-SP) se engajar na pré-candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. O vereador Francisco Chagas (PT), integrante do conselho político de Haddad, solicitou uma reunião para pedir a Marta que entre "o mais rapidamente possível" na campanha. Ele mobiliza vereadores, deputados estaduais e deputados federais para irem a Brasília para convencer a senadora a integrar os trabalhos da pré-candidatura.

"Precisamos montar uma tropa pedindo a ela para entrar. Ela está muito na dela. Só que o PT é muito grande. Vamos dizer 'você precisa chegar, vamos à luta'", afirma Chagas, assegurando que alguns colegas de bancada já manifestaram disposição de acompanhá-lo na viagem.

O Estado apurou que foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem pediu ao vereador que fizesse um gesto público, solicitando espaço na agenda da ex-prefeita, para tentar tirá-la da imobilidade em que se encontra em relação à campanha. Chagas nega que a orientação tenha partido do ex-presidente.

O vereador afirma que já sinalizou a intenção aos vereadores Alfredinho, José Américo e Arselino Tatto e que iria procurar o novo líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto, além do deputado Vicente Cândido. Quase todos têm sido interlocutores de Lula e, à exceção de Alfredinho, todos eram vereadores ou integravam o secretariado municipal quando Marta governou São Paulo, de 2001 a 2004.

"É importante que seja um gesto nosso, de quem a ajudou a governar São Paulo. Temos carinho por ela, gostamos muito e fomos base dela", afirma Chagas, lembrando ter sido líder de bancada na gestão Marta.

Silêncio. Até ontem, segundo o vereador, a senadora não havia respondido à solicitação. A assessoria de Marta afirmou que ainda não recebeu o pedido e que, portanto, não comentaria.

Assim como Chagas, a senadora integra o conselho político da pré-candidatura de Haddad, mas até agora não compareceu a nenhuma das três reuniões do grupo nem de qualquer encontros do PT sobre a campanha. No fim de 2011 Marta foi pressionada por Lula e pela presidente Dilma Rousseff a abrir mão, em favor de Haddad, da intenção de concorrer novamente.

Na semana passada, caciques petistas, capitaneados por Lula, operaram para manter Marta na vice-presidência do Senado, rompendo acordo feito no ano passado com o senador José Pimentel (PT-CE), que ficaria com a vaga em 2012. Com o gesto, o partido já tentava tirar Marta do imobilismo. Em 2 de novembro, quando desistiu das prévias, a senadora disse que apoiaria o candidato escolhido pelo partido, o que até agora não fez.

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