Petista terá tarefa também na defesa da economia

A chegada do economista Aloizio Mercadante para a Casa Civil coloca uma sombra sobre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliam técnicos da equipe econômica do governo Dilma. Mercadante e Mantega formularam o programa econômico do PT apresentado nas campanhas presidenciais desde 1989, quando o candidato era Lula. Claramente associados ao "desenvolvimentismo", os dois terão em 2014 um ano complexo, uma vez que a política econômica do governo tem sido fortemente atacada pelo mercado financeiro - o Produto Interno Bruto não se aproximou de 3%, a inflação está há três anos rondando 6% e os investimentos ainda não engataram.

BASTIDORES: João Villaverde, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2014 | 02h01

A sombra de Mercadante se coloca também pela teoria do "novo desenvolvimentismo", popularizada em Brasília pelo futuro novo mandatário da Casa Civil em sua tese de doutorado, concluída em dezembro de 2010 na Unicamp, a apenas duas semanas antes de embarcar para Brasília para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, seu primeiro posto ministerial no governo.

Na tese, Mercadante defende a política econômica do governo Lula, que combinara, segundo ele, forte crescimento econômico com distribuição de renda. Os tempos de economia em alta ficaram para trás, no entanto. Desde 2011, o PIB não cresceu nem próximo de 3%, e Mantega passou a ser criticado pelas projeções otimistas e pelas manobras fiscais conduzidas pelo Tesouro Nacional.

Segundo um auxiliar de Mantega na Fazenda, "todos sabem que o Mercadante é muito próximo da presidente, mas o Guido também é. Os dois trocam impressões a todo instante, todos os dias". Para esse assessor, a "política econômica atual é o resultado dessa interação".

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