Petista cita 'jogo político pesado', mas depois recua

Texto com menção a rivalidade partidária é retirado de site pessoal de Pimentel meia hora depois de ir ao ar

BRUNO BOGHOSSIAN, ESTADÃO.COM.BR, ENVIADO ESPECIAL, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h06

Diante da divulgação de informações sobre as atividades de sua empresa de consultoria e sobre os contratos assinados em sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) classificou de "jogo político pesado" as suspeitas de tráfico de influência que pesam sobre ele.

Em carta divulgada em seu site, Pimentel não cita nomes, mas insinua que adversários alimentam uma campanha contra ele. Minutos depois de o Estado ter acesso ao texto original, trechos foram apagados e o tom do contra-ataque minimizado numa segunda versão.

Foi a primeira manifestação pública do ministro sobre as suspeitas de que ele seria alvo de "fogo amigo" de setores do PT mineiro descontentes com suas articulações políticas ou de nomes do PSDB que tentariam enfraquecê-lo. Petistas e tucanos, que integram uma aliança política na capital mineira, atribuem uns aos outros a autoria das denúncias. Até ontem, o ministro se limitara a justificar o trabalho da P-21 Consultoria e Projetos.

"Os fatos que apresentei e as explicações que prestei (…) são acachapantes, não a onda de suspeições que acaba emergindo em meio a um jogo político pesado", escreveu o ministro, na versão inicial da carta. "Sabemos todos que o jogo político muitas vezes se vale do bom jornalismo para tentar manchar biografias limpas."

Retirado. O trecho acima constava do texto acessado pelo Estado às 8h30 de ontem. Meia hora depois, ele foi retirado do ar e as duas frases foram apagadas. Segundo a assessoria do ministro, a carta publicada anteriormente seria apenas "um rascunho".

Na versão final, Pimentel adota uma crítica mais leve. "É preciso cautela para que o jogo político não termine por contaminar o livre exercício de um direito. Para que esse direito não seja usado para atingir biografias respeitáveis", reescreveu o ministro.

A publicação do texto é uma tentativa de Pimentel de mostrar que está "disponível para prestar qualquer esclarecimento", como anunciava a chamada na abertura do site. O ministro afirma que a carta serve para "evitar que eventuais ruídos prejudiquem as informações".

Pimentel voltou a defender suas atividades ao dizer que os trabalhos da empresa foram realizados após sair da prefeitura e antes de assumir o ministério.

"Entre 2009 e 2010, período em que a P-21 funcionou, não ocupava qualquer cargo público. A empresa não manteve, nestes dois anos, qualquer contrato com os governos municipal, estadual ou federal", diz o texto. "Minha atividade profissional foi regular, legal e útil aos meus clientes - ao contrário do que a leitura de reportagens publicadas podem fazer crer."

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