'Pessoas inescrupulosas estão criando um factoide'

Primeira baixa na equipe de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho, ainda em agosto, o ex-chefe de gabinete Marcelo Panella mantém o posto de tesoureiro do PDT. O cargo em Brasília era "missão partidária", afirmou o ex-assessor. Em conversas desde setembro, Panella apresentou versões diferentes sobre atribuições no ministério. Ora o cargo era desgastante, ora tinha poucos poderes. Panella e Lupi são amigos há 25 anos. Foram sócios no Auto Posto São Domingos e São Paulo Comércio e Representação Ltda, um posto de gasolina que não saiu do papel. Panella voltou ao Rio para comandar a Credcasa, empresa de negócios imobiliários.

Entrevista com

MARTA SALOMON / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2011 | 03h04

Por que o sr. foi exonerado? Estava tentando sair desde o início do ano. Na função que eu tinha, não é uma coisa fácil, há muitos compromissos. Então a gente acabou postergando isso um pouco. Fiquei quatro anos e meio em Brasília, e minha família não me acompanhou. Tinha de vir ao Rio todo final de semana, era uma coisa muito cansativa. É um cargo muito desgastante. Minha ideia era ficar menos tempo em Brasília, mas acabei ficando, era uma missão partidária.

Mantém o posto de tesoureiro? Sou tesoureiro nacional do partido. Era tesoureiro adjunto quando Leonel Brizola faleceu. Lupi, que era tesoureiro na época, foi conduzido à presidência e eu assumi a tesouraria.

Há a informação de que o sr. foi afastado em meio a denúncias de irregularidades na liberação de dinheiro público.

Isso não passa nem pela chefia de gabinete. Os secretários estão acima da chefia de gabinete e se reportam ao ministro. Eu não libero nada. Até as poucas despesas que seriam ordenadas pelo chefe de gabinete, como passagem aérea, eu até deleguei ao meu adjunto.

E como funciona o caixa de campanha do PDT?

A gente é um partido de pequeno, médio porte, um partido que tem dificuldade. Mas, graças a Deus, temos todas as contas aprovadas. Nossas campanhas são feitas entre 80% a 90% de fundo partidário.

Do que o sr. vive agora?

Sou gestor de negócios imobiliários. E tenho uma empresa há muitos anos, que administra imóveis que meu pai e meu avô deixaram em Nova Iguaçu, a Credcasa. O meu negócio é loteamento. Sobre a minha sociedade com o ministro Lupi, a gente tentou fazer um posto de gasolina lá nesses terrenos, em 1992. Mas não tivemos alvará. Não tem nada lá.

O sr. tem falado com Lupi?

De vez em quando, mais por telefone. Todo partido político tem divisão, ou seria 'unido' político. As pessoas têm suas ambições. Não vou citar nomes, mas algumas pessoas inescrupulosas estão aproveitando o fato de eu sair de Brasília para tentar criar um factoide.

Como o sr. explica as novas denúncias de pagamento de propinas no ministério?

Na minha análise, virou moda derrubar ministro, todo mundo tem de derrubar um.

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