Pessimismo com a economia joga índice ao dos dias pós-protestos

A oposição ganhou a primeira batalha das expectativas econômicas de 2014. Uma guinada negativa na percepção sobre a tendência do emprego, inflação, juros e impostos prevaleceu sobre o moderado otimismo que chegou a haver, brevemente, no fim de 2013. Isso explica a perda de popularidade da presidente Dilma Rousseff.

ANÁLISE: José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

28 Março 2014 | 02h04

Os 36% de ótimo e bom a que caiu o governo em março é o mesmo patamar no qual se manteve o índice entre agosto e novembro. Mas as avaliações negativas sobre o desempenho do governo em matéria de inflação, combate ao desemprego, juros e impostos são recorde nos 39 meses de mandato de Dilma.

A aprovação presidencial vem caindo desde o começo do ano. Em fevereiro, o Ibope e o Estado registraram que a taxa de ótimo e bom estava em 39%, após alcançar 43% no fim de 2013. Sabe-se agora que a subida de dezembro era temporária - uma bolha que se consumiu junto com a renda extra do 13.º salário.

Os 36% aos quais o governo baixou agora foram um "piso" para sua aprovação ao longo do segundo semestre de 2013. Não é um patamar intransponível - após as manifestações, a taxa de ótimo/bom caiu a 31% -, mas é uma linha de resistência que pode segurar temporariamente a popularidade presidencial.

Não é a melhor maneira de um presidente fechar o primeiro trimestre de um ano no qual disputa a reeleição. Não foi uma piora dramática, mas o bastante para manter a eleição aberta, e a oposição, no jogo.

Os próximos dois rounds serão os trimestres abril/maio/junho, de pré-campanha e diretamente influenciado pela Copa, e a reta final da campanha, entre julho e setembro. Perder a batalha das expectativas econômicas no próximo trimestre seria grave para Dilma, mas perder o terceiro seria fatal.

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