Infográfico/Estadão
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Pesquisas retratam resiliência do quadro eleitoral brasileiro

Presidenciáveis mais competitivos estão agarrados ao chão; Bolsonaro persiste na dianteira, indicando que sua audiência é fiel nas eleições 2018

Marco Aurélio Nogueira*, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2018 | 23h03

Muita água ainda correrá sob a ponte. Mas chama atenção, nas pesquisas que se sucedem, a resiliência do quadro: os presidenciáveis mais competitivos estão agarrados ao chão, sem se deslocarem. 

Parte da explicação pode estar na insistência dos institutos de pesquisa de apresentarem Lula como candidato, fato que reitera a narrativa do “golpe”, mas também é um truque eleitoral que confunde a população. Nas simulações feitas com o nome de Lula, ele é imbatível. Quando substituído por Haddad, o desempenho petista despenca e Marina ganha fôlego.

Bolsonaro persiste na dianteira, indicando que sua audiência é fiel. A segunda posição de Marina mostra que biografia épica, recall e insistência em uma “nova política” compensam a falta de estrutura de campanha e a recusa a coligações.

Ciro e Alckmin caminham abraçados, o eleitorado parece indiferente à qualidade técnica e à experiência administrativa que ambos podem exibir. Ciro sofre as consequências do isolamento a que foi submetido pelo PT. Já Alckmin, em que pese a grande coligação, continua estacionado, vitimado pela má vontade do eleitor com a política. Para complicar, sua campanha enfrenta problemas complicados no plano regional, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde poderá até ser “cristianizado”. Mesmo em São Paulo terá de amassar muito barro para conseguir decolar com ímpeto. Seu maior trunfo está no horário gratuito.

Nos cenários de segundo turno avaliados pela pesquisa da CNT, sem o nome de Lula, Bolsonaro está um passo à frente dos adversários, seja ele Alckmin, Ciro ou Marina. O que ajuda a explicar a agitação que tomou conta do mercado e dos analistas políticos. Os índices de rejeição são altos, e afetam particularmente os dois mais bem colocados: Lula (30%) e Bolsonaro (37%). Será uma surpresa e um complicador a mais se um deles for eleito.

A pesquisa deixa claro que das 13 candidaturas poucas têm músculos para ir ao segundo turno. A briga entre elas irá recrudescer nas próximas semanas, com efeitos que ainda não dá para prever.

* PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA E COORDENADOR DO NÚCLEO DE ESTUDOS E ANÁLISES INTERNACIONAIS DA UNESP

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