Personal trainer de deputado era laranja de licitação, diz delator

Analista que acusa Chalita de corrupção afirma que secretário contratou sócio de empresa que tinha contrato com pasta

BRUNO BOGHOSSIAN, MARIÂNGELA GALLUCCI, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h07

Em novo depoimento ao Ministério Público, o analista de sistemas Roberto Grobman afirmou que o deputado Gabriel Chalita (PMDB) determinou a contratação de seu personal trainer para um cargo de confiança no governo paulista quando o parlamentar foi secretário de Educação do Estado, entre 2002 e 2006.

O educador físico Alexandre Eduardo de Freitas foi contratado em abril de 2004 como assessor da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), com um salário de R$ 10 mil, e foi sócio da Editoras Associadas do Brasil, até janeiro de 2005. Segundo o denunciante, a empresa era usada como laranja pelo grupo COC para manipular licitações da gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

Grobman disse à Promotoria que Alexandre trabalhava na academia Bio Ritmo antes de ser contratado pelo governo paulista. Segundo o denunciante, ele "não comparecia regularmente à Secretaria de Estado da Educação" depois que foi contratado.

"Como Alexandre recebia da Secretaria de Educação e da FDE, Chalita não pagava os honorários pelos serviços prestados como personal trainer", disse.

Grobman alega que a Editoras Associadas do Brasil participava dos processos de contratação do governo paulista e apresentava preços altos para induzir a FDE a comprar produtos de outras empresas ligadas ao grupo COC.

"Tal editora apresentava propostas de valor maior, para que outra empresa do Grupo COC ganhasse o certame, como a Interactive Sistemas Educacionais Ltda. Assim, a Editoras Associadas participava apenas para (...) simular uma suposta 'concorrência' entre os proponentes", declarou.

Entre os anos de 2004 e 2006, a Interactive firmou três contratos para fornecer softwares educacionais para a FDE, no valor total de R$ 3,75 milhões. A Editora COC foi contratada em 2004 para vender 7 mil "cadernos digitais" por R$ 1 milhão.

A Editoras Associadas, onde o personal trainer havia trabalhado, também foi contratada pela FDE. Seis meses depois que Alexandre deixou o governo, em janeiro de 2006, a fundação assinou um contrato de R$ 2,45 milhões com empresa para a aquisição de softwares educacionais.

Alexandre trabalhou na FDE entre 2 de abril de 2004 e 8 de junho de 2005, com a responsabilidade de desenvolver um programa de qualidade de vida para funcionários da Secretaria de Educação. À época da rescisão de seu contrato, seu salário era de R$ 10.629,64.

O grupo Bio Ritmo confirmou que Alexandre foi diretor técnico da rede até outubro de 2003.

A assessoria de Chalita informou que Alexandre não era personal trainer do deputado, negou a suspeita de favorecimento e disse acreditar na apuração correta do Ministério Público.

Alexandre de Freitas não foi encontrado para comentar as declarações de Grobman.

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