Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Persio Arida diz que privatizar todas as estatais é um 'equívoco'

Coordenador do programa econômico de Alckmin afirma que tucano não tem planos para vender Petrobrás e Banco do Brasil

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2018 | 22h25

O economista Persio Arida, ex-presidente do Banco Central e coordenador do programa econômico do pré-candidato à presidência Geraldo Alckmin, defendeu a avanço do programa de privatização das estatais, mas não de todas as empresas públicas. "A ideia de que se possa privatizar tudo é um equívoco", disse durante palestra nesta quinta-feira, 10, para empresários, investidores e economistas na Câmara de Comércio França-Brasil.

Arida ressaltou que toda estatal brasileira é defendida por uma "tríplice aliança" - parte dos funcionários, políticos que têm influencia na empresa e o setor privado que compra e vende para tal companhia. "Se você anunciar que vai privatizar tudo, todas as tríplices alianças em defesa de cada uma das estatais se unem e você não consegue aprovar nada no Congresso."

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A estratégia, disse ele, é o governo avisar o que não vai privatizar e se focar no resto que será vendido. Arida ressaltou que Alckmin já anunciou que não pretende vender a Petrobrás e o Banco do Brasil. "Tem que terminar a Eletrobrás", disse ele, ressaltando que não iria falar em sua apresentação de outros nomes que poderiam ser passados para a iniciativa privada.

"O Estado precisa deixar de ser empresário para cuidar do que interessa para a população, educação, saúde, segurança pública. O Estado não precisa nem produzir nem financiar nada", disse o economista. Arida lembrou que o Brasil começou a privatizar nos anos 90, mas em seguida ficou 15 anos sem avançar na agenda. "Temos que retomá-la agora."

ALCKMIN NÃO SERÁ POPULISTA, DIZ ARIDA

Ainda em sua apresentação, já na parte de perguntas e respostas, Arida disse que Alckmin não será populista. Para o economista, é possível que o ex-governador de São Paulo, ainda com baixa intenção de voto nas pesquisas eleitorais, consiga passar para a população sua mensagem de "responsabilidade e modernização" e há exemplos no mundo que mostram isso, como a eleição de Emmanuel Macron na França.

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"O mundo tem excesso de capitais e o Brasil tem boas oportunidades de investimento", disse Arida, ressaltando que falta segurança jurídica, é preciso descomplicar a economia brasileira e criar um bom marco regulatório para atrair esses recursos. "É preciso tornar a economia amigável ao setor privado." Para Arida, a meta precisa ser duplicar a renda nacional, abrir a economia brasileira ao setor externo e elevar a produtividade do trabalhador.

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Se o Brasil aumentar as exportações e importações em 50%, por meio de ações como acordos bilaterais e reduções de barreiras comerciais, disse Arida, há um ganho para o Produto Interno Bruto (PIB) de 1%. "O elemento fundamental de qualquer boa política econômica tem que ser o crescimento. O Brasil precisa voltar a crescer."

Para o ex-presidente do BC, o setor de infraestrutura precisa ser um polo dominante da economia brasileira, pois o País tem demanda "gigantesca" no segmento. "O Brasil tem hoje um polo dinâmico claro que é o agronegócio. O outro polo tem que ser a infraestrutura, é onde as oportunidades existem."

O Brasil precisa entrar em uma trajetória que os agentes passem a ter a percepção de que o governo vá honrar seus compromissos e a relação entre dívida pública sobre o Produto Interno Bruto (PIB) se estabilize, disse Arida. Com isso, os prêmios de risco associados ao País vão cair, completou. 

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