Perillo omitiu, diante da CPI, ter comprado um segundo imóvel

Registrada em extratos bancários do governador, movimentação financeira para o negócio não foi mencionada à comissão

ALANA RIZZO /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h10

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), omitiu à CPI do Cachoeira a compra de um novo imóvel durante o período em que negociava a venda de sua casa no condomínio Alphaville, em Goiânia, na qual o contraventor Carlinhos Cachoeira foi preso meses depois. A movimentação financeira para a aquisição está registrada nos extratos da conta bancária do tucano, que, em depoimento à comissão, não mencionou a transação.

"Tinha necessidade de me mudar para uma casa maior, já como governador. Resolvi, no fim de dezembro, alugar outra casa no mesmo condomínio, mas precisava dispor da casa antiga. Afinal de contas, não tinha condições nem rendimentos para continuar pagando o aluguel de uma casa e pagando essas despesas todas de outra casa", afirmou o governador à CPI, nada dizendo ao relator Odair Cunha (PT-MG) sobre a outra negociação.

Questionado pelo Estado, o governador se nega a dar detalhes sobre o tipo, o valor total e a localização do imóvel, alegando se tratar de uma "questão particular". Os extratos bancários mostram que, no dia 6 de abril, dois dias após receber o segundo cheque de Cachoeira, Perillo pagou uma parcela de R$ 200 mil do novo bem. Em julho, depois de receber o último pagamento pela venda da casa, o tucano sacou R$ 200 mil em espécie da sua conta. Um mês depois, depositou valor idêntico na conta.

Por meio do seu advogado, Antônio Carlos de Almeida, o Kakay, o governador afirmou que o imóvel adquirido está declarado no Imposto de Renda. O Estado não encontrou registros do imóvel nos cartórios de Goiânia.

Sobre o saque em espécie, Kakay informou que o governador Perillo retirou o dinheiro para comprar outro imóvel porque o vendedor queria receber em espécie. "Como o negócio não deu certo, ele voltou a depositar o dinheiro em sua própria conta", afirmou o advogado.

Na CPI. A negociação para a venda da casa para Cachoeira foi feita pelo assessor especial de Perillo, Lúcio Fiuza. Ele depõe hoje na CPI do Cachoeira, que investiga relações do empresário com políticos.

Outras duas pessoas ligadas ao processo de venda do imóvel, no qual Cachoeira foi preso pela Polícia Federal, também serão ouvidas: Écio Antônio Ribeiro, um dos sócios da Mestra Administração e Participações, e Alexandre Milhomem, amigo de Andressa Mendonça, mulher do contraventor.

Os sigilos bancários obtidos até agora pelos parlamentares reforçam a ligação entre Cachoeira e a casa do governador de Goiás. Os dados revelaram a sincronia financeira entre as contas da Alberto e Pantoja Construções, empresa de fachada usada para movimentar o dinheiro da Delta Construções Ltda., e a Excitante Indústria e Confecções, que emitiu os três cheques para o pagamento do imóvel de Perillo. A confecção de Anápolis é de uma cunhada de Cachoeira.

Em sua defesa, Perillo diz que não conferiu de quem eram os cheques. A CPI quebrou o sigilo bancário e fiscal do tucano, mas ainda não recebeu os dados.

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