Perillo nega à CPI ter negócios com Cachoeira e se esquiva de perguntas

Dizendo-se vítima de "fatos distorcidos e informações descabidas", o governador de Goiás, Marconi Perillo, recusou-se ontem a abrir espontaneamente seus sigilos telefônico, bancário e fiscal para a CPI do Cachoeira e, em cerca de nove horas de depoimento, classificou de "irresponsáveis" as citações de seu nome nos diálogos flagrados pela Polícia Federal entre integrantes do grupo de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Perillo afirmou não ter relações com o contraventor.

EUGÊNIA LOPES, ALANA RIZZO, FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h06

À vontade diante do relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), que não conseguiu pôr o governador contra a parede, o tucano se saiu politicamente bem no depoimento, apesar de ter deixado várias perguntas sem resposta. Sua tática foi a de não responder a acusações contra integrantes de seu governo. "Isso a CPI tem de perguntar a ele/ela"; ou "isso eu desconheço", repetiu o governador, sempre que confrontado com escutas telefônicas envolvendo o primeiro escalão de sua gestão com a quadrilha do contraventor.

O depoimento, apesar de considerado positivo por aliados e adversários, não encerra a participação do governador no caso. A CPI ainda terá acesso a novas provas e sigilos da Delta Construções que, dizem seus integrantes, podem comprometê-lo.

Perillo considerou "fantasiosas as suposições" de ingerência do grupo de Cachoeira sobre o governo de Goiás. "Nunca fiz negócio com Cachoeira", afirmou. Ao dizer que não era próximo do contraventor, admitiu ter jantado duas vezes com ele, uma na casa do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) e outra na residência do diretor do Detran goiano, Edivaldo Cardoso.

Segundo Perillo, nesses encontros as conversas giraram sobre a eventual candidatura de Demóstenes à Prefeitura de Goiânia e temas como "futebol e comida". O então diretor da Delta Centro-Oeste, Claudio Abreu, também participou dos jantares.

'Empresário'. Referindo-se a Cachoeira como "empresário", ele reconheceu ter recebidoo contraventor uma vez no Palácio das Esmeraldas. "Jamais alguém entregou dinheiro no Palácio. Rechaço isso", afirmou. "Não tem propina no meu Estado."

Irritado com a avaliação de que sua performance havia sido "pífia", o relator Odair Cunha argumentou que Perillo era "investigado" pela Polícia Federal e insistiu que o governador colocasse à disposição da CPI seus sigilos. Deputados e senadores tucanos reagiram no ato: alegaram que o governador estava na CPI na condição de "testemunha" e não de "investigado".

O PSDB apareceu em peso para blindar Perillo. Os petistas também optaram por não massacrar o governador tucano. No depoimento, Perillo admitiu que nomeou pessoas indicadas pelo ex-vereador tucano Wladimir Garcez, apontado como integrante da quadrilha de Cachoeira.

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