Perillo articula apuração 'chapa-branca'

Deputados trabalham para que comissão da Assembleia Legislativa do Estado não convoque pessoas próximas ao governador tucano

FERNANDO GALLO , ENVIADO ESPECIAL / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2012 | 03h09

Aliados do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), operam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) "chapa-branca" na Assembleia Legislativa do Estado para investigar os desdobramentos da Operação Monte Carlo. Os deputados negam a intenção de fazer uma apuração mais contida, mas dizem não ver motivos para convocar pessoas próximas a Perillo que foram afastadas do governo após denúncias.

Um exemplo é a ex-chefe de gabinete do governador, Eliane Pinheiro, flagrada em escutas da operação. Segundo a Policia Federal, ela recebia informações sigilosas de operações policiais e repassava aos investigados.

"Eu, por exemplo, não chamaria a Eliane, ex-chefe de gabinete. Ao que consta, ela fez uma ligação ao prefeito de Águas Lindas para avisá-lo de que estaria acontecendo uma operação policial no município", sustentou o deputado Helder Valin (PSDB), líder do governo. Lembrado de que Eliane foi uma das pessoas que ganharam do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira um rádio Nextel que pensavam ser à prova de grampo, Valin emendou: "São 60 rádios. Pelo menos a informação que chegou pela imprensa. Nós teríamos que chamar as 60 pessoas que tinham esse rádio?"

Em relação a Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran que deixou o cargo por suspeita de ligação com Cachoeira, Valin começou a isentá-lo - "Não vi diretamente alguma coisa que..." -, mas logo mudou o discurso. "Olha, também não vejo nenhum problema de chamá-lo. Quem não deve não teme."

O parlamentar, no entanto, fez questão de ressaltar que, como líder do governo, não fará parte da CPI e que, portanto, os nomes a serem convocados não dependem dele.

O deputado negou informação relatada por duas pessoas de que, em reunião com oito deputados da oposição, havia proposto que abrandassem o discurso em troca de que prefeitos de cidades importantes comandadas pelo PT e pelo PMDB não fossem convocados à comissão. "Não, essa conversa nunca existiu. Conversei em plenário com alguns deputados sobre alguns possíveis procedimentos da CPI, mas foi uma conversa informal, em tom de brincadeira."

Deboche. O deputado Luis César Bueno (PT) afirma que aliados de Perillo trabalham para tirar da CPI o foco em questões estaduais para levá-lo às prefeituras de oposição, o que fez o petista sustentar que a comissão corre o risco de virar uma "CPI do deboche". "Essa CPI chapa-branca, da forma como está estabelecida, pode ser a CPI do deboche, porque está tentando focar contratos da empresa Delta com as prefeituras e tirar do foco as autoridades constituídas do Estado que estão ligadas ao crime organizado", sustenta. "Os deputados desta Casa enfatizam muito que vão investigar as prefeituras, principalmente as comandadas pelo PT e pelo PMDB".

Bueno diz que a vontade da oposição de convocar autoridades estaduais para depor deve ser barrada pela maioria governista. "Vamos para a CPI para convocar as autoridades do Estado, principalmente as que foram presas ou estão sendo investigadas. Mas como não temos maioria, acreditamos que os nossos requerimentos podem não ser aprovados." A CPI escolherá relator e presidente nesta semana.

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