Perfil da equipe de Barbosa indica que mandato será discreto

Novo presidente do STF, que assumirá amanhã, dá sinais de que sua gestão privilegiará discrição e garantia de acesso

FELIPE RECONDO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h07

O novo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, montou seu staff e, pelos nomes escolhidos, demonstrou preocupação em exercer um mandato discreto, protegido de desvios administrativos e financeiros, com certa projeção internacional e garantia de acesso ao tribunal de pessoas em vulnerabilidade econômica ou social.

Barbosa nomeou como diretor-geral o auditor do Tribunal de Contas da União Fernando Silveira Camargo, que cuidará das contas da Corte. Antes de escolhido para o cargo, Camargo era secretário de Gestão de Pessoas do TCU. Conforme integrantes do tribunal, a escolha de alguém com experiência em gestão pode destravar algumas amarras do Supremo.

Barbosa já conversou reservadamente com alguns ministros sobre a necessidade de tornar mais ágeis os julgamentos. Na pauta, há centenas de processos, número que aumentou por causado julgamento do mensalão, em curso desde agosto. Para ajudar nessa tarefa, o ministro indicou como secretária-geral uma de suas antigas assessoras, Flávia Beatriz Eckhardt.

Harmonização. No campo político, Barbosa preocupa-se em afinar relações com os demais Poderes e chamou para chefiar seu gabinete o diplomata Silvio José Albuquerque e Silva, que comandou o Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério de Relações Exteriores. Ele terá a função de agregar, pacificar e afinar o contato do STF com o Executivo e o Legislativo.

Barbosa será empossado presidente do Conselho Nacional de Justiça na próxima semana, para onde até agora não nomeou assessores. Conforme integrantes do Conselho, a definição do staff indicará como será sua gestão.

No CNJ, Barbosa terá de conviver com a composição majoritariamente formada durante a gestão do ex-presidente Cezar Peluso. Conforme ministros do STF, a composição atual é corporativista e pouco disposta a mudanças. Barbosa tem críticas contundentes a determinados costumes do Judiciário. Uma delas, a atuação de advogados que têm parentesco com ministros nos tribunais superiores.

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