27 de outubro de 2012 | 03h05
Os cálculos das penas também indicam que o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) e os integrantes da cúpula do Banco Rural, Kátia Rabelo e José Roberto Salgado, serão condenados a mais de 8 anos de prisão, caso sejam mantidos os parâmetros fixados até agora pelos ministros do STF, o que também os levará a obrigatoriamente a cumprir inicialmente a pena em regime fechado.
Dirceu e Delúbio foram condenados por formação de quadrilha e corrupção ativa pelo pagamento de propina a parlamentares da base aliada do governo. Marcos Valério foi condenado com os dois petistas pelos mesmos crimes e o STF fixou em 10 anos e 7 meses a pena ao operador do mensalão.
Ministros e advogados consultados pelo Estado dizem que as penas a serem aplicadas a Dirceu e a Delúbio devem ser similares às de Valério pelo fato de ambos terem, assim como o empresário, papel destacado na prática dos crimes. O advogado de Delúbio, Arnaldo Malheiros Filho, admite que a pena a ser fixada a seu cliente será próxima à que foi imposta a Marcos Valério.
O Supremo condenou João Paulo Cunha culpado pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro relativo ao recebimento de R$ 50 mil de propina para permitir a Valério desviar recursos públicos na Câmara dos Deputados. O empresário recebeu pena de 4 anos e 1 mês de prisão por ter corrompido o petista e de 4 anos e 8 meses de cadeia pelo desvio de verba da Casa Legislativa.
Se receber penas parecidas com as de Valério, sem contar o que foi aplicado a ele pela lavagem de dinheiro, o deputado federal também terá de iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.
Os integrantes da cúpula do Banco Rural são outros ameaçados de cumprir o início da pena imposta pelo Supremo integralmente na cadeia.
Kátia Rabelo, ex-presidente e acionista do banco, e José Roberto Salgado, ex-vice de setor operacional, foram condenados por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.
Pelos três primeiros crimes, Marcos Valério recebeu 14 anos, 11 meses e 20 dias de prisão. O crime de gestão fraudulenta, único não praticado pelos ex-dirigentes do Rural em conjunto com o empresário, tem pena mínima de 3 anos de cadeia.
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