Peemedebistas de SP rejeitam abandonar Kassab por Chalita

Os dois peemedebistas secretários municipais da Prefeitura de São Paulo recusam-se a deixar a gestão para apoiar o deputado federal e presidente municipal do PMDB, Gabriel Chalita, pré-candidato à sucessão de Gilberto Kassab (PSD). Uebe Rezeck (Participação e Parceria) e Bebetto Haddad (Esportes) querem seguir no cargo até o fim do ano.

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h06

Rezeck disse a interlocutores que, se depender dele, ficará no comando da pasta e entregará o cargo somente em 31 de dezembro. Bebetto Haddad planeja continuar à frente da secretaria "por compromisso com Kassab".

Ambos assumiram há menos de um ano. Rezeck, ex-prefeito de Barretos, era suplente na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Bebetto Haddad era presidente municipal do PMDB, mas teve de abrir espaço para que Chalita assumisse o posto e, assim, sua pré-candidatura ganhasse corpo.

À época da posse na Prefeitura, em maio do ano passado, eles estavam acompanhados do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que agora pediu aos secretários que "reflitam" sobre seu futuro político - "em jogo" de acordo com o sucesso ou o fracasso eleitoral de Gabriel Chalita.

Temer quer ainda que Bebetto saia candidato a vereador para fortalecer a campanha de Chalita e a sigla no Legislativo. Com a criação do PSD de Kassab, o PMDB ficou sem nenhuma vaga na Câmara Municipal.

O vice-presidente veio pessoalmente ao encontro Rezeck e Bebetto na semana passada para pedir-lhes que avaliem abandonar os cargos em prol da campanha que Chalita começou a fazer - com ataques diretos a José Serra e críticas à falta de projetos da administração Kassab. Assim, não haveria desconforto nem desgaste do PMDB por questionar publicamente uma gestão que peemedebistas ajudam a fazer na capital paulista.

Lealdade. O PMDB apoiou a reeleição de Kassab em 2008 e, em contrapartida, pôde indicar Alda Marco Antonio ao cargo de vice-prefeito. Mas, mesmo com a pressão da direção nacional, Rezeck e Bebetto querem manter lealdade ao prefeito.

Procurados pela reportagem do Estado, os secretários disseram que só vão comentar a decisão final depois de oficializarem a vontade de ficar ao prefeito. Kassab deve recebê-los ainda esta semana, depois de retornar de viagem a Espanha e Portugal.

O prefeito disse que deixará Rezeck e Bebetto livres para decidir se ficam ou não, sem forçar escolhas. E nega que pretende usar os cargos de ambos em negociações com outros partidos, como o PSB, em troca de apoio ao pré-candidato tucano José Serra. Os secretários, por sua vez, aguardam um posicionamento de Kassab.

"Ainda não falei com eles (Rezeck e Bebetto), mas vai depender só deles, da vontade de cada um", afirmou o prefeito.

Alvo. As secretarias comandadas pelos peemedebistas não devem ser alvo de ataques de Chalita, que prefere criticar transporte, saúde e educação. As pastas sob o comando dos peemedebistas são responsáveis por eventos populares na cidade, culturais e esportivos, que viraram marcos do calendário oficial paulistano, com chamariz para atrair milhares de pessoas.

À frente da Secretaria de Participação e Parceria, Uebe Rezeck organiza a Parada do Orgulho LGBT, com apoio da Associação da Parada. Já Bebetto, na de Esportes, promove a edição anual da Virada Esportiva e distribui atividades físicas espalhadas por toda a cidade durante um fim de semana inteiro.

Precedente. Uebe Rezeck e Bebetto Haddad não são os primeiros peemedebistas da administração municipal se recusarem a aderir ao projeto Chalita, incentivado e capitaneado pelo vice-presidente, Michel Temer. A vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio, se desligou do PMDB no fim do ano passado depois de Chalita revelar, durante um discurso na Assembleia Legislativa do Estado, que atacaria publicamente a gestão Kassab durante a campanha. Chalita fez comentários críticos ao trabalho da realizado pela equipe kassabista na área de Assistência e Desenvolvimento Social, pasta comandada pela então correligionária Alda Marco Antonio.

Para evitar ser alvo do pré-candidato, a quercista decidiu deixar o PMDB em que estava há mais de 40 anos e se filiar ao recém-fundado Partido Social Democrático (PSD) de Kassab.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.