Peemedebistas atribuem ao PT 'ataque especulativo' no 2º escalão

Ministro Edison Lobão encurtou viagem aos EUA para tentar organizar o PMDB em sua missão de manter cargos federais

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h04

A cúpula do PMDB está convencida de que o partido está sob ataque especulativo do PT, que trabalha para avançar sobre o espaço político e administrativo dos peemedebistas Brasil afora. Foi nesse contexto que o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, interrompeu a semana de férias nos Estados Unidos e voltou a Brasília ontem só para confirmar a permanência "definitiva" de Sérgio Machado na presidência da Transpetro.

Discreto, Lobão confirmou só que fez uma viagem de dois dias aos EUA, embora só devesse retornar ao trabalho na terça-feira, e disse que está "trabalhando para que haja paz no PMDB". Sua volta atendeu aos apelos de dirigentes peemedebistas, especialmente do líder no Senado, Renan Calheiros (AL), que é padrinho da indicação de Sérgio Machado para a Transpetro e estava aflito com os rumores sobre a demissão do afilhado.

O clima interno no PMDB é de desconfiança e apreensão por conta do que denomina "ataque especulativo duplo". Além de investidas paroquiais de petistas que se movimentam para desalojar aliados do PMDB de postos do segundo escalão, eles identificam uma espécie de ataque mais "estruturante", que serve ao projeto de poder do partido.

"Querem nos asfixiar para disputar as eleições municipais em melhores condições", acusa o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele diz não ter dúvidas de que as investidas sobre o PMDB fazem parte do projeto de poder do PT e conclui: "Estão nos asfixiando nas bases, que é de onde vem a força do PMDB".

Para o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), seu partido é sem dúvida a maior vítima dos ataques especulativos do PT, por ser o maior partido da base aliada, mas não é a única. "Somos nós que mais sofremos, mas o ataque é em cima de todos os aliados, no sentido de estabelecer uma hegemonia."

2014. A suspeita geral, traduzida pelo deputado baiano, é de que o PT mira seu fortalecimento nas eleições municipais já de olho em 2014, quando o projeto é fazer as maiores bancadas na Câmara e no Senado para tirar o PMDB da presidência das duas Casas do Legislativo.

"O sucesso na eleição de prefeitos e vereadores é determinante para eleger uma grande bancada em 2014. O esforço do PT é para ficar absoluto no poder", conclui Vieira Lima.

"Dona Dilma não tem nada contra o PMDB, que é o maior partido de apoio a ela. Ao contrário, ela tem estima total pela legenda e não existe isso de fazer devassa no partido", repetiu o ministro a vários interlocutores ontem. Lobão tratou sem rodeios da demissão do afilhado do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) da diretoria-geral do Departamento Nacional de Obras contra as Secas. "O Dnocs foi caso tópico, assim como o episódio do ministro da Agricultura (Wagner Rossi)", disse o ministro, insistindo na tese de que "a presidente não tem prevenção nenhuma contra o partido".

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