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Ed Ferreira/Estadão

Peemedebista é favorito para comandar câmara

Deputado federal Eduardo Cunha recebeu 232 mil votos no Rio de Janeiro

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 03h00


Atualizado às 15h05

Aos 56 anos de idade, 25 deles na política, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi reeleito com 232.708 votos e já tem no horizonte uma nova disputa. Embora não goste de falar no assunto, o líder da bancada do PMDB é a aposta do partido para ocupar a presidência da Câmara em 2015, quando inicia o quarto mandato federal. 

Cunha foi o terceiro deputado mais votado do Estado e o campeão de votos do PMDB. Na noite de domingo, comemorou: “Aumentou o número dos meus patrões”, como se refere aos eleitores. “Tenho um forte eleitorado evangélico, que não me faltou. Mas perdi muitos votos para o Bolsonaro”, calcula. Jair Bolsonaro (PP) foi o deputado mais votado do Rio, com 464.572 votos. 

Responsável por grande parte das dores de cabeça da presidente Dilma Rousseff (PT), em razão das derrotas que impôs ao governo em momentos de rebeldia dos peemedebistas, Cunha deixa de lado os embates de Brasília em tempos de campanha. 

Bandeiras. Suas principais bandeiras são a luta contra o aborto, contra o casamento gay e contra a legalização das drogas. Fiel da igreja Sara Nossa Terra, Cunha mistura, nas redes sociais, a publicação de propostas e salmos na mesma medida. Quando Marina Silva (PSB), também evangélica, entrou na disputa presidencial, Cunha disse que ela “assumiu em seu programa de governo posições contrárias à família”. 

Embora tenha se posicionado contra Marina, não fez campanha para presidente. Alegou que, como líder partidário, não poderia assumir posição. O material de propaganda pedia votos para o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e deputados estaduais com os quais fez dobradinha. Agora Cunha faz mistério sobre sua atuação no 2.º turno da disputa presidencial. “Vou conversar com a bancada, vamos ver”, desconversa. Também não fala em presidência da Câmara. “Não vou passar o carro na frente dos bois.” 

Como o PT manteve a maior bancada de deputados federais, não será fácil para o PMDB garantir a presidência da Casa, mas os peemedebistas mostram disposição para brigar pelo cargo. 

Economista, Eduardo Cunha entrou na política no extinto PRN, partido pelo qual Fernando Collor foi eleito presidente. Chegou à presidência da Telerj, a companhia telefônica do Estado. Em 1998, filiado ao PPB, disputou a primeira eleição e ficou com a suplência de deputado estadual. No ano seguinte, foi nomeado presidente da Companhia Estadual de Habitação (Cehab) pelo governador Anthony Garotinho, ex-aliado e hoje um dos maiores desafetos do deputado. 

Cunha foi eleito deputado federal em 2002 e, no ano seguinte, entrou no PMDB. Àquela altura, tinha se tornado popular como comentarista da rádio evangélica Melodia FM, onde até hoje faz inserções diárias com o bordão “Afinal de contas, o povo merece respeito”. 

A passagem pela Cehab rendeu a Cunha um processo que teve desdobramentos até chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi acusado de ter usado documentos falsos para se livrar de investigação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) por supostas irregularidades da companhia de habitação. Cunha afirmou ser inocente e garantiu que jamais soube que os documentos que o favoreceram eram falsos. O deputado foi absolvido por unanimidade em 26 de agosto deste ano.

Blocão. Eleito líder do PMDB na Câmara, no início de 2013, ganhou mais visibilidade e influência como porta voz das insatisfações do partido, especialmente pelo que considera pouco prestígio da legenda na gestão de Dilma. Cunha liderou o chamado “blocão”, que assumiu posição de independência em relação ao governo. 

Com patrimônio declarado de R$ 1,6 milhão, arrecadou nos dois primeiros meses da campanha R$ 3,7 milhões, segundo parcial divulgada em setembro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seus principais doadores foram a CRBS, empresa de bebidas, a Telemont, de telefonia, a Mineração Corumbaense e o banco BTG Pactual. Aliviado com a vitória, reconhece: “Talvez tenha sido a eleição em que mais trabalhei. Todos os candidatos tinham um pouco de preocupação com o que aconteceria depois das manifestações de junho”. 

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