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Pedro Paulo pede suspensão de propaganda de Crivella por conta de 'fotografia manipulada'

Como a propaganda da TV terminou na última quinta-feira, 30, a punição, caso seja aplicada, valeria para o segundo turno

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2016 | 17h21

RIO - O juiz Marcelo Oliveira, da 123ª Zona Eleitoral do Rio, analisa pedido do candidato do PMDB à prefeitura do Rio, Pedro Paulo, de suspensão da propaganda eleitoral do oponente Marcelo Crivella (PRB) que usa uma fotografia dele manipulada. Na imagem, veiculada ontem de noite numa inserção rápida de TV, aparecem o candidato do PMDB, Pedro Paulo, ladeado pelo governador licenciado do Rio Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sergio Cabral, que o antecedeu, e o prefeito Eduardo Paes, todos do mesmo partido. No entanto, a foto real tem, ao lado de Pedro Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na inserção, uma voz em off faz críticas ao PMDB.

Pedro Paulo pede a suspensão da propaganda com a foto "por qualquer meio, tevê, rádio e internet ou inserções ou programa eleitoral gratuito em bloco" e também perda de tempo de TV de Crivella, no total de um minuto. Como a propaganda da TV terminou na última quinta-feira, 30, a punição, caso seja aplicada, valeria para o segundo turno. 

Mais cedo, o juiz Marcello Rubioli, coordenador estadual da fiscalização da propaganda eleitoral, disse que a adulteração deveria ser investigada. "Tem irregularidade aí. No meu entendimento, é crime de injúria eleitoral. Indicando o vínculo com pessoas que são tidas como envolvidas com casos de corrupção, (a foto) está querendo induzir que o candidato é corrupto", afirmou Rubioli. 

A injúria eleitoral é crime previsto no artigo 326 do Código Eleitoral. "Injuriar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando a fins de propaganda, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro" pode ser punido com detenção por até seis meses ou pagamento de multa. A representação na Justiça Eleitoral foi feita na tarde desta sexta-feira, 30, pelo PMDB e os demais partidos da coligação "Juntos pelo Rio": PDT, DEM, PP, Solidariedade, PSL, PTB, PT do B, PTC, PMN, PSDC, PEN, PROS, PRTB e PHS.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da campanha de Crivella e também com a de Pedro Paulo, mas não obteve resposta com um posicionamento dos candidatos. 

A manipulação foi denunciada pelo jornalista Fernando Molica no Facebook, logo depois da veiculação da inserção. A foto foi feita em fevereiro do ano passado, quando PMDB e PT eram aliados. Mostra um momento de descontração entre os cinco políticos. À exceção de Cabral, todos apontam o dedo para Pedro Paulo. Lula está no centro da foto, abraçando Pedro Paulo e Cabral; bem feita, a adulteração faz com que Cabral apareça abraçando diretamente Pedro Paulo. O afilhado político de Eduardo Paes, seu secretário, era então virtual candidato a prefeito. Seu nome foi confirmado em julho deste ano.

A foto original vem sendo compartilhada por detratores de Pedro Paulo no Facebook durante a campanha, como meme, acompanhada da frase: "Todos nós roubamos, mas quem bate em mulher é ele". É uma alusão ao fato de Pedro Paulo ter sido investigado por agredir a ex-mulher, Alexandra Marcondes, em 2010 e em 2008, quando eram casados. A violência doméstica tem sido explorada por seus adversários durante o período pré-eleitoral. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal arquivou a investigação. 

O último levantamento do Ibope confirmou a liderança isolada de Crivella (PRB), que apareceu com 34% das intenções de voto. Seguem-se, empatados com 10%, Pedro Paulo e Marcelo Freixo. Indio da Costa (PSD) tem 8%; Jandira Feghali e Flávio Bolsonaro (PSC), 7%; Carlos Osório (PSDB), 4%; Alessandro Molon (Rede), 1%. Ontem à noite, no último debate televisivo antes das eleições de domingo, Crivella, assim como os oponentes, concentrou esforços em atacar Pedro Paulo e o PMDB. "Tudo que é escândalo o PMDB está envolvido, Lava Jato, mensalão, petróleo. Eu tenho idade para ser seu pai, muda de partido!", disse o candidato do PRB, num embate direto com Pedro Paulo.

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