PDT resiste a indicar técnico para o Trabalho

Partido aguarda reunião com Dilma para dizer que, ao contrário do que ela sinalizou, comando da pasta exige perfil político

DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 03h06

Em desafio ao Planalto, o PDT descartou ontem indicar um técnico para o Ministério do Trabalho em substituição a Carlos Lupi, demitido do cargo no final do ano passado depois de denúncias de aparelhamento da pasta e de supostas irregularidades em convênios com ONGs.

O partido aguarda, para o início de fevereiro, um convite da presidente Dilma Rousseff para discutir o nome de um pedetista para comandar o ministério. Lupi, presidente do PDT, afirmou que, diferentemente de outras pastas, como a da Fazenda e a da Ciência e Tecnologia, o Ministério do Trabalho é eminentemente político e dificilmente será ocupado por um técnico. Ontem, o ex-ministro disse que tem condições morais para permanecer no comando do partido.

No mais recente arranjo ministerial, a nomeação de Marco Antonio Raupp para Ciência e Tecnologia foi considerada uma escolha técnica da presidente Dilma. Raupp ocupa o lugar do ex-ministro Aloizio Mercadante, deslocado para o Ministério da Educação com a saída de Fernando Haddad, pré-candidato à prefeitura de São Paulo.

"O ministro tem de ter habilidade para conduzir o processo de negociação que envolve sindicatos, capital e trabalho. As pessoas têm de ter clareza disso", afirmou o vice-presidente do PDT, deputado André Figueiredo (CE), concordando com Lupi. "O ministro tem de ser um gestor e tem de ter habilidade", continuou. "O que é um perfil técnico no Ministério do Trabalho?", perguntou Figueiredo. "É alguém ligado a que segmento?"

Incondicional. O deputado destacou que o apoio do PDT ao governo Dilma Rousseff não está condicionado à participação no ministério. "Acreditamos no governo da presidente", disse. Estão cotados para assumir o Trabalho o deputado Vieira da Cunha (RS) e o secretário-geral do PDT, Manoel Dias.

Ao ser questionado sobre se mantinha o amor à presidente da República, como declarou poucos dias antes de ser exonerado do cargo, Carlos Lupi repetiu: "Eu amo todos vocês, inclusive a presidente. O amor é um sentimento dos mais nobres. As pessoas na rua dizem que me amam e eu adoro."

Apesar da tentativa do grupo pedetista ligado ao ex-deputado Vivaldo Barbosa, o Diretório Nacional, reunido, ontem, não analisou o pedido de saída de Lupi da presidência da legenda.

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