PC do B se reúne nesta 5ª em BH para definir apoio no 2º turno

Candidata derrotada, Jô Moraes levará proposta de indicação de voto em Leonardo Quintão, do PMDB

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2008 | 18h49

A Executiva Nacional do PC do B  se reúne nesta quinta-feira, 9, em São Paulo, para decidir sobre a posição do partido no segundo turno da eleição para prefeito de Belo Horizonte, entre Márcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB). A candidata derrotada Jô Moraes levará à direção nacional da legenda comunista a proposta de indicação de voto em Quintão ou mesmo ingresso na campanha do peemedebista, desde que ele se comprometa com questões programáticas da coligação PC do B/PRB, como a ampliação do orçamento participativo e "uma preocupação mais especial com a educação". "A participação mais efetiva do PC do B e minha numa campanha é condicionada a determinados compromissos programáticos", disse Jô Moraes.  Reconhecendo a "relação privilegiada" do PSB com a sigla comunista no País, ela pretende argumentar que a capital mineira vive um processo singular por causa da presença - informal - do PSDB do governador Aécio Neves na coligação em torno de Lacerda. Diversos líderes do PSB têm procurado a direção nacional do PC do B. "Integro um partido de caráter nacional e tenho de expressar as alianças nacionais. Mas claro que há uma particularidade em Belo Horizonte, porque integra a aliança um partido que é oposição ao governo do presidente Lula".  Ferrenha crítica da aliança entre Aécio e o prefeito Fernando Pimentel (PT), Jô Moraes empreendeu no primeiro turno uma verdadeira cruzada jurídica contra a participação do governador tucano na campanha do candidato socialista. Jô Moraes chegou a liderar a disputa no início, mas ficou em terceiro lugar, com 8,82% dos votos válidos, mas a avaliação é que muitos dos seus eleitores migraram na reta final para Quintão, numa espécie de "voto útil" contra a polêmica aliança.Interlocutores da comunista afirmam que ao condicionar o apoio à inclusão de propostas defendidas por ela durante a campanha, Jô Moraes evita uma situação desconfortável perante movimentos sociais. "Ninguém entenderia se ela desse um 'cavalo-de-pau' e agora apoiasse Lacerda".  A campanha de Lacerda acenou para o PC do B, mas já se resigna com o apoio da candidata ao adversário. "Se houver isso não será nenhuma novidade. No primeiro turno eles tiveram uma estratégia comum. Ela batia e ele chorava", ironizou o candidato a vice na chapa, Roberto Carvalho (PT). O socialista confia que muitos eleitores de Jô Moraes "terão dificuldades em votar em Leonardo Quintão".  PRB   A expectativa é que PC do B e PRB tomem uma decisão comum. A Executiva Nacional do partido do vice-presidente José Alencar também se reúne nesta quinta para definir o rumo a ser tomado no segundo turno. As duas legendas decidiram fazer um anúncio conjunto na sexta-feira. Quintão se apressou e desembarcou ontem (08) em Brasília, onde teria um encontro no final da tarde com o vice-presidente - que também se reuniu com Jô Moraes.  Mas Alencar sofre o assédio também da candidatura encabeçada pelo PSB. Lacerda e Carvalho deverão viajar para a capital federal para um encontro com o vice. Na terça-feira, Aécio telefonou para Alencar e convidou-o para uma reunião na próxima semana, quando o vice participa de um evento em Belo Horizonte.  Dissidentes  O candidato do PMDB também tem mirado nos dissidentes petistas. Na noite de terça-feira, ele recebeu em sua residência o ex-deputado e atual delegado regional do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Rogério Correia - um dos líderes do grupo do PT que fez campanha para Jô Moraes no primeiro turno.  Parte da nova estratégia da campanha de Lacerda é concentrar a atuação nas regiões populosas de Venda Nova e Barreiro, onde Pimentel foi mais votado em 2004 e que no primeiro turno deram a vitória a Quintão. As regiões são consideradas bolsões de votos petistas. O candidato do PSB venceu em 11 das 18 zonas eleitorais e obteve ampla maioria na região sul - formada principalmente por bairros de classe média e classe média alta.  Mensalão  Na tarde desta quarta-feira, Lacerda participou de uma audiência no Juizado Especial Criminal, em processo movido contra o dono de um site por crime de difamação. O candidato do PSB alega que foi vítima de acusações falsas que o envolviam com o escândalo do mensalão. O site foi retirado do ar pelo Ministério Público. Não houve conciliação.

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