PC do B ignora grampo e quer Protógenes na CPI

Mesmo após 'Estado' divulgar conversas do delegado com grupo de Cachoeira, partido avisa que, se tiver vaga em comissão, vai indicá-lo

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h08

Se o PC do B conseguir uma vaga na CPI do Cachoeira, ela será do deputado Protógenes Queiroz (SP). A revelação do Estado na edição de ontem de que Protógenes foi flagrado na Operação Monte Carlo conversando com Dadá, araponga e braço direito de Carlos Cachoeira, não constrangeu a sigla nem o parlamentar.

"O deputado Protógenes nos explicou que todas as conversas gravadas pela PF, nas quais ele aparece conversando os agentes, dizem respeito ao trabalho dele na Operação Satiagraha (desencadeada em julho de 2008, sob a direção de Protógenes, que é também delegado da PF, e que visou a reprimir a lavagem de dinheiro)", disse o vice-líder do PC do B, Osmar Junior (PI).

Protógenes, delegado da Polícia Federal, acabou afastado dessa operação, respondeu a uma sindicância interna e a Operação Satiagraha foi anulada pela Justiça.

O Estado revelou que Protógenes conversou, já na condição de deputado, com os agentes que atuaram com Carlinhos Cachoeira em 2011 . Ele procurava marcar os encontros em locais como postos de gasolina e aeroportos para acertar versões que dariam no inquérito da Satiagraha. Segundo Osmar Jr., o deputado disse, numa reunião do partido, que os diálogos referiam-se apenas a detalhes da Operação Satiagraha.

Após conversar com o PC do B, Protógenes foi à tribuna da Câmara, de onde negou ter qualquer tipo de relação com Carlinhos Cachoeira. Mas chegou a admitir que tem "ligação profissional" com Idalberto Matias Araújo, o Dadá, um dos integrantes da equipe de arapongas do empresário acusado de chefiar uma rede ilegal de jogos. As investigações da PF revelaram seis conversas suspeitas de Protógenes com Dadá, apontado como principal colaborador de Cachoeira.

O fato de Dadá certamente ser alvo de investigação da futura CPI Mista não foi interpretado pelo PC do B como obstáculo para Protógenes integrar a comissão.

Nos diálogos, o deputado orienta Dadá sobre como depor na investigação da Corregedoria da PF sobre irregularidades na Satiagraha. Protógenes é autor do pedido de CPI para investigar o envolvimento de políticos com Cachoeira. O requerimento deve ser arquivado e substituído por outro, do Senado e da Câmara. Por ora, o PC do B não poderá indicar ninguém para a CPI. As vagas estão reservadas a siglas maiores.

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