PC do B dá mais apoio à ministra que o próprio PT

Na avaliação de um ex-titular da Seppir, é possível que as críticas à atual ministra Luiza Bairros se devam a interesses contrariados por sua gestão. O movimento negro está dividido em várias tendências e nem todas se afinam com a linha da ministra. Outra dificuldade seria o fato de Luiza ter proximidade com o PT da Bahia, mas relações fracas com os petistas de outros Estados.

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h06

Curiosamente, quem mais defende a permanência dela no cargo é o PC do B, partido que tem um braço forte no movimento negro e controla cargos importantes na Seppir desde que foi criada, em 2003.

Diante dos comentários de substituição de sua apadrinhada, o governador baiano Jaques Wagner (PT) também saiu em sua defesa. Ontem, em Salvador, na abertura do Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, ele anunciou que dira à presidente Dilma Rousseff que Luiza tem apoio da base social e que a Seppir deve ser mantida. A fala de Wagner ocorreu logo após a ministra ter sido entusiasticamente aplaudida no encontro.

Wagner terá oportunidade de conversar sobre o tema com Dilma amanhã, quando ela participa da sessão de encerramento da reunião. Apesar do entusiasmo do governador, é notório que a secretaria, criada em 2003, perdeu visibilidade durante a atual gestão. Há quem atribua isso ao fato de Luiza ser avessa à mídia. Outros falam em ausência de propostas. E há também quem associe o encolhimento da Seppir ao estilo de governo de Dilma, que define grandes projetos e metas e agrega a eles o conjunto dos ministérios. Nesse contexto. Luiza estaria encarregada, entre outras coisas, de fazer com que o programa Brasil Sem Miséria alcance o maior número possível de comunidades negras.

Além da indicação de Wagner, Luiza chegou a Brasília como parte do projeto de Dilma de engrossar a cota de mulheres em seu governo. A dúvida é se essas credenciais serão suficientes para mantê-la no cargo. / R.A.

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