Paulo Roberto Costa teria sido convidado para ser ministro, relata jornal

Interceptações feitas pela Polícia Federal de conversas entre doleiro e deputado sugerem que ex-diretor da Petrobrás recebeu convite para ocupar pasta das Cidades

O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 09h21

São Paulo - O ex-diretor de abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso desde março, teria sido convidado a ocupar o Ministério das Cidades, de acordo com mensagens interceptadas pela Polícia Federal. A informação foi publicada pelo jornal Gazeta do Povo, de Curitiba (PR), nessa quinta-feira, 16.

Costa foi preso em março deste ano durante a Operação Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro. O suposto convite ao ex-diretor teria ocorrido em 13 de março, dias antes de sua prisão. A informação aparece em mensagens trocadas entre o doleiro Alberto Youssef, também preso pela Lava Jato, e o deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA). O conteúdo foi interceptado pela PF e estava sob sigilo. As mensagens não detalham quem teria feito o convite ao ex-diretor da estatal, nem se a presidente Dilma Rousseff sabia do caso ou se se tratava de uma negociação do partido.

"Vc sabia q chamaram PR pra assumir o Ministério?? E ele n quis. Aguinaldo [Ribeiro, o ministro] saiu hoje” (sic)", escreveu Argôlo. O deputado faz referência ao ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP), que deixou a pasta das Cidades em março para se dedicar às eleições na Paraíba. A sigla "PR", segundo a polícia, é a identificação de Paulo Roberto Costa.

"Sabia. Ele já tinha me contado", responde Alberto Youssef. "Foi a melhor coisa q ele fez [não ter aceito]", complementou.

Paulo Roberto Costa ocupou o cargo de direção da Petrobrás entre 2004 e 2012, e foi indicado por lideranças do PP e do PMDB. Luiz Argôlo já foi filiado ao PP e responde a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara em razão da ligação com Youssef.

A troca do comando das Cidades ocorreu em meio a outras trocas na Esplanada, no momento em que ministros deixaram os cargos para se dedicar a campanhas eleitorais. Para o lugar de Aguinaldo Ribeiro, o PP indicou Gilberto Occhi, vice-presidente da Caixa Econômica.

O advogado de Paulo Roberto Costa, João Mestieri, disse ao jornal não achar "improvável" que o convite tenha ocorrido, mas não afirmou se o contato ocorreu. O Ministério das Cidades informou desconhecer o assunto. Os representantes da defesa de Youssef e Argôlo não responderam à reportagem.

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