Paulo Preto e Eduardo Jorge rejeitam acordo na Justiça

Em audiência, tucanos que protagonizaram disputa na eleição de 2010 decidiram continuar com as ações

O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2011 | 03h05

Sem acordo perante as barras da Justiça, o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e o vice presidente do PSDB, Eduardo Jorge, protagonistas de capítulo que marcou as eleições de 2010, encontraram-se ontem em audiência na 29.ª Vara Cível do Fórum João Mendes, em São Paulo. Durante cerca de uma hora os dois acompanharam os depoimentos das testemunhas arroladas por Paulo, que move ação contra Jorge por danos morais e pleiteia R$ 1 milhão a título de indenização.

O cerne da questão é uma entrevista que Jorge concedeu a uma revista semanal, em agosto do ano passado, na qual teria declarado que Paulo, ex-presidente da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) no governo José Serra, dera sumiço em R$ 4 milhões da campanha do partido à Presidência da República.

Da acusação valeram-se oponentes do PSDB, até Dilma Rousseff, então candidatada do PT na corrida ao Palácio do Planalto.

Foi a segunda vez que os rivais foram à Justiça - em fevereiro, eles já haviam ficado frente a frente, mas em outro endereço, o Fórum da Lapa, em processo de caráter criminal, que ainda se arrasta. Na ocasião, Jorge afirmou que jamais fez a declaração que tanto indigna Paulo. Ele informou ter enviado carta à revista pedindo retificação.

Ontem, no 13.º andar do Fórum João Mendes, os dois aguardaram a chamada do oficial de Justiça mantendo distância um do outro, acompanhados de advogados - Mariana Pereira da Cunha, defensora de Jorge, e Edgard Leite, defensor de Paulo.

Já na sala de audiência foi indagado a eles se queriam fazer acordo para por fim à pendência. Nem um nem outro aceitou a proposta e prosseguiu a audiência de instrução, que reuniu cinco testemunhas do lado do autor - entre elas eminência tucana, Aloysio Nunes Ferreira, senador por São Paulo, em situação insólita, porque amigo de ambas as partes. Aloysio poderia ter feito valer suas prerrogativas para depor no Senado. "Prefiro vir pessoalmente para o juiz formar sua convicção", ponderou.

"O único acordo que eu aceito é ele (Paulo) pedir desculpas", declarou Eduardo Jorge, à saída. "Mantenho integralmente o que disse à revista, mas não aquilo que foi publicado."

"Não tem acordo, nunca terá", disse Paulo. "Procurei a Justiça com o objetivo de exatamente de saber quem é o mentiroso", prosseguiu sem apontar nomes. "Uns covardes do PSDB mentem em off. Quem mentiu que responda. Se tiverem peito que venham a público." / FAUSTO MACEDO

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