Paulo Mustrangi teve 65,1% e é o novo prefeito de Petrópolis

Candidato do PT venceu Ronaldo Medeiros (PSB), que teve 18,67% dos votos na cidade da regiãos serrana do Rio

Da Redação,

26 de outubro de 2008 | 19h15

O candidato do PT, Paulo Mustrangi, é o novo prefeito de Petrópolis, na região serrana do Rio. Ele teve 65,1% dos votos, contra 34,9% de Ronaldo Medeiros (PSB). A cidade teve 18,67% de abstenção e 7,07% de votos nulos. Os votos brancos somaram 3,18%. A apuração terminou por volta das 19h10 deste domingo, 26.   Veja também:  Geografia do voto: desempenho dos partidos no País   Cobertura completa das eleições 2008   Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos    Os 230 mil eleitores de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, que pela primeira vez foram às urnas num segundo turno municipal, assistiram a uma acirrada disputa entre dois ex-aliados. O prefeito Rubens Bomtempo (PSB), que encerra o segundo mandato, escalou o deputado estadual Ronaldo Medeiros (PSB) para enfrentar Paulo Mustrangi (PT), seu ex-secretário e atual desafeto. Os dois candidatos têm trocado acusações em busca de votos e só concordam numa coisa: ambos se apresentam como o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Apesar da distância de Lula, o PT do Rio declarou a eleição de Mustrangi em Petrópolis prioridade, já que o partido ficou de fora do segundo turno na capital e em Campos dos Goytacazes (Norte Fluminense), as outras duas cidades do Rio onde há segundo turno. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, foi a Petrópolis encontrar Mustrangi. Petistas do Rio como a ex-governadora Benedita da Silva, o deputado Jorge Bittar, e o prefeito reeleito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, não saem da cidade.   Mustrangi surpreendeu até mesmo os petistas no primeiro turno ao ultrapassar Medeiros, considerado favorito pelas pesquisas durante toda a campanha. O petista alcançou 41,2% dos votos, contra 31,29% do adversário. A virada se deu às vésperas do pleito em meio a denúncias de uso da máquina municipal em favor de Medeiros que terminaram na impugnação da candidatura dele pela juíza eleitoral local por causa da participação de uma funcionária da prefeitura na campanha. Medeiros concorreu sob efeito de uma liminar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).   Para Medeiros, o episódio, a dois dias do primeiro turno, confundiu seus eleitores. "Muita gente não votou achando que eu não estava concorrendo", queixou-se. Ele confia na reforma da sentença e aposta na construção da imagem de traidor do adversário para virar o jogo. "Se Mustrangi fosse um aliado fiel, não seria problema a disputa entre nossos partidos. Mas é triste disputar com uma pessoa infiel, que até quatro meses atrás defendia nosso governo. Como tem coragem de falar em mudança?", acusa Medeiros, citando um vídeo lançado na internet por seus correligionários que mostra Mustrangi elogiando Bomtempo ao discursar na convenção do PSB no início deste ano.   O petista deixou a secretaria de Meio Ambiente de Bomtempo no início do ano na expectativa de ser o candidato numa chapa PT-PSB. O prefeito preferiu lançar Medeiros. Mustrangi recusou-se a apoiá-lo, virou oposição e foi buscar uma aliança com o PPS do deputado Leandro Sampaio, ex-prefeito de Petrópolis que é o maior rival de Bomtempo. Apesar de ter apoiado o prefeito como presidente da Câmara de Vereadores e participado do seu secretariado, Mustrangi tem atacado pontos fracos da administração de Bomtempo, como a saúde.   Cidade histórica   A cidade imperial, fundada por D. Pedro II em 1843, vive do turismo e da indústria têxtil, mas sofre com o crescimento desordenado que avança sobre encostas verdes. O resultado é a queda da qualidade de vida na cidade, que tem problemas de transporte e coleciona enchentes e desabamentos a cada verão.   Bomtempo, que tem como cartão de visitas a reurbanização do centro histórico, diz que a favelização é um processo de décadas que ele conseguiu conter com o apoio de Mustrangi. Por isso não aceita o discurso oposicionista do ex-aliado. "É muita contradição", queixa-se o prefeito, que conseguiu o apoio do governador Sérgio Cabral (PMDB) para Medeiros. Procurado pelo Estado, Mustrangi não retornou as ligações alegando motivos de agenda.   Bomtempo diz ter optado por Medeiros, empresário do ramo de material de construção, por considerá-lo mais preparado do que Mustrangi, ex-líder do sindicalismo bancário. O prefeito admite que a celeuma com a Justiça Eleitoral pode impedi-lo de fazer o sucessor. "Houve um prejuízo muito grande (à candidatura), uma distorção. Nossa estratégia será mostrar que não sofri acusações em 8 anos. Vou lutar até o fim", promete. Ele afirma que a prefeitura não beneficia seu afilhado político, mas diz não poder impedir o engajamento de funcionários: "Não posso cercear esse direito do cidadão". Na falta de pesquisas consistentes, os candidatos devem seguir até domingo disputando cada voto.   (Com informações de Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo.)

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