Paulistano foge de protestos e esvazia ruas da cidade

SP registrou trânsito de feriado em dia útil, com média de lentidão de 11 km pela manhã e 12 km à noite; trabalhar em casa foi opção

Bruno Ribeiro, Caio do Valle, Edison Veiga, Giovana Girardi, Tiago Dantas, Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h01

A cidade de São Paulo saiu da rotina ontem e a quinta-feira pareceu um dia de domingo. Sem trânsito e com ônibus, metrô e trens vazios, a capital registrou 11 quilômetros de congestionamento às 9 horas, quando a média, para as quintas-feiras de julho, é de 101 km. À tarde, o cenário atípico se repetiu, com 12 km de lentidão às 19h, horário em que a média é de 162 km.

Ao longo do dia, as diversas manifestações realizadas por sindicalistas e motoboys fecharam as principais vias da capital. No fim da manhã, 2 mil motociclistas prejudicaram o trânsito das Avenida dos Bandeirantes, 23 de Maio e Paulista ao fazer um cortejo com velocidade média de 6 km/h. À tarde, mais manifestantes das centrais chegaram e a Paulista foi totalmente bloqueada por 7 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Nos protestos, as pautas trabalhistas foram preponderantes.

Para fugir das manifestações, a população se preparou e traçou alternativas. Houve quem saiu de casa mais cedo, mais tarde e até quem ficou com receio de ir ao trabalho e improvisou com home office. "Todo mundo do meu departamento foi dispensado, trabalhamos de casa e funcionou. De qualquer maneira, foi um contratempo em uma semana que já teve feriadão. Atrapalhou nossa rotina", disse a advogada Keli Ubaldo, de 37 anos, que trabalha em uma empresa na Marginal do Pinheiros e mora no ABC paulista.

Com medo de atravessar a cidade, o corretor de imóveis Dener Paulo Cruz, de 48 anos, também trocou o expediente na imobiliária em que trabalha em Santana, na zona norte, e as visitas aos apartamentos que vende na zona oeste e no centro pelo trabalho na mesa de casa. A profusão de informações sobre a greve geral deixou o corretor confuso, e ele preferiu não arriscar. "Li muita coisa na internet, mas não sabia exatamente onde teria bloqueio e onde não teria. Então, acabei ficando em casa mesmo para garantir", disse.

Muitos serviços foram afetados - no comércio, funcionários faltaram e a clientela também. "Tenho uma média de 80 clientes por dia e hoje só tenho 34 confirmadas. Várias estão desmarcando", contou a recepcionista de um salão de beleza na zona norte, Janaína Godói, de 34 anos. "Dispensei mais cedo as cabeleireiras."

Quem depende de ônibus reprogramou seus horários para não ser pego desprevenido por uma possível paralisação. A doméstica Aparecida de Carvalho, de 61 anos, decidiu sair meia hora mais cedo de casa, no Jardim Quarto Centenário, na zona leste. "Na verdade, nem sabia se ia conseguir pegar a condução, mas, quando cheguei ao ponto, vi que tudo estava normal." Ela trabalha na região central de São Paulo.

Moradora do Butantã, na zona oeste, a orientadora de travessia Elisabete da Silva Gomes, de 35 anos, saiu às 8h de casa, em vez das 7h, que é seu horário habitual, com medo de enfrentar o mesmo tumulto do dia anterior, quando houve uma paralisação de parte dos motoristas de ônibus da cidade. "Ontem (anteontem), tive de descer antes de chegar no centro e ir a pé. Acho que, no fim, foi melhor os motoristas não fazerem protesto de novo, porque é a população quem paga, sem ter nada a ver com isso."

Quem pegou estrada, porém, enfrentou mais problemas. Morador de Atibaia, no interior de São Paulo, o veterinário Ronaldo Morato, de 46 anos, perdeu um compromisso na capital. "Tinha uma reunião às 10h em São Paulo, não fui porque não sabia como estaria a situação."

Protestos. Vários pontos da capital foram palco de manifestações ontem organizadas pelas centrais. A Força Sindical promoveu uma passeata na Marginal do Pinheiros e na Ponte Octavio Frias de Oliveira, por volta das 10 horas. Os trabalhadores da indústria da construção civil, ligados à Força, fecharam as vias e caminharam até a Avenida Paulista.

Pela manhã, houve manifestação também na Radial Leste, onde metalúrgicos bloquearam três faixas na altura da Estação Belém do Metrô. O grupo marchou no sentido centro. Trabalhadores fizeram outro protesto na Ponte do Piqueri, na zona norte da capital.

Cerca de 50 pessoas se reuniram no canteiro central da Avenida Enéas de Carvalho, na frente da Secretaria Estadual da Saúde, no entorno do Hospital das Clínicas, por volta do meio-dia. O ato não prejudicou o acesso dos pacientes ao HC nem o trânsito da região. Os profissionais da saúde reivindicam do governo estadual paulista a regulamentação da jornada de trabalho de 30 horas - projeto que já foi enviado para a Assembleia Legislativa. Após o protesto, o grupo também seguiu para a Avenida Paulista.

No início da noite, após a maior concentração que ocorreu na via durante a tarde, um pequeno grupo dispersou a manifestação na Praça Roosevelt.

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