Patrimônio de Agnelo aumentou 413% em cinco anos, diz revista

Levantamento feito por Época, a partir de declarações de bens do governador, indicam rápido enriquecimento

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h04

Fortalecido na semana passada por uma blindagem do PT, que conseguiu derrubar cinco pedidos de impeachment contra ele na Câmara Distrital do Distrito Federal, o governador Agnelo Queiroz enfrenta um novo teste político: a denúncia de que seu patrimônio aumentou 413% entre 2006 e 2010.

Os dados, extraídos de suas declarações de imposto de renda daquele período, foram revelados ontem pela revista Época. Eles são parte de um processo que corre na Justiça Federal, no Rio de Janeiro.

Segundo a revista, Agnelo declarou em 2006 um total de bens de R$ 224.350. Na declaração de 2010, esse número quintuplicou, chegando a R$ 1.150.322. Entre uma e outra, o governador comprou dois apartamentos e uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. A declaração não inclui bens de Agnelo, mas apenas rendimentos - pois, segundo ele, os bens estariam registrados no nome de sua mulher, Ilza Queiroz.

Essa rápida evolução de patrimônio não combina com as informações que ele entregou à Receita Federal ao longo dos quatro anos. Em 2006, quando se candidatou ao Senado, Agnelo dizia ter três automóveis e um apartamento e uma remuneração total de R$ 189.899. Num gesto generoso, doou então ao seu partido - na época, o PC do B - 22,7% de sua renda bruta, exatos R$ 42.368.

Em 2007, segundo a reportagem, a renda declarada do governador não foi além de R$ 57.642. E, por oito meses do ano, antes de ser convocado pelo governo para uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), teria recebido apenas um salário mensal de R$ 3 mil como médico da rede pública.

Declaração conjunta. Em nota que divulgou a respeito, o governador informa que a declaração de 2010 "foi apresentada em conjunto com a esposa". .

O texto traz um histórico das relações de Agnelo com dois ex-integrantes do PC do B - João Dias, autor de denúncias que ajudaram a derrubar o ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), e Daniel Tavares, lobista do laboratório União Química.

Daniel revelou em vídeo ter depositado um valor de R$ 5 mil na conta de Agnelo em janeiro de 2008. Divulgado pela oposição na semana passada, o vídeo traz sua afirmação de que o depósito era o complemento de uma propina de R$ 50 mil, acertada com o governador. Assim que o vídeo circulou, o PT entrou em defesa de Agnelo e Tavares disse em outro vídeo que os R$ 5 mil eram a quitação apenas de uma dívida pessoal.

Tavares também disse à Epoca que o dono da União Química teria dado ao filho de Agnelo um Fiat Palio - e que o laboratório doou R$ 200 mil à campanha do governador, em 2010. Outro laboratório, o Barenboim S. A., doou outros R$ 300 mil, / G.M.

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